EUA e Europa usam América do Sul para descartar lixo. Exemplo é o deserto de Atacama no Chile

EUA e Europa usam América do Sul para descartar lixo. Exemplo é o deserto de Atacama no Chile

Um imenso lixão foi criado pelo descarte de roupas e calçados vindos dos Estados Unidos e Europa no deserto de Atacama, na altura da cidade de Alto Hospício a 1.800 km da capital Santiago.

São  milhares de toneladas que  acabam como lixo escondido no deserto.  O lixão é formado por sapatos, camisetas, casacos, vestidos, gorros, trajes de banho e até luvas para neve. Essas montanhas de lixo que levam até 200 anos para se desintegrar crescem cerca de 59 mil toneladas por ano entrando na zona franca do porto de Iquique.

São roupas feitas na China ou em Bangladesh e compradas, por exemplo, em Berlim ou Los Angeles, antes de serem jogadas fora. Na paisagem desértica há manchas de todo tipo de lixo. Entre elas destacam-se botas de chuva ou de neve em uma das áreas mais secas do mundo.

A Justiça chilena investiga o lixão de roupas usadas no Atacama por dano ambiental. Na terça-feira (02)uma juíza e peritos estiveram nos arredores da localidade de Alto Hospicio,  informou à AFP o tribunal ambiental no qual tramita o processo.

Recentemente o surgimento de um imenso buraco no deserto de Atacama despertou as autoridades chilenas para os problemas ambientais.

 

Produtos que vão parar no lixão

O chamado fast fashion tem um alto custo com trabalhadores mal pagos, denúncias de mão-de-obra infantil e condições deploráveis ​​para a produção em massa das vestimentas. A isso se somam hoje cifras devastadoras sobre seu imenso impacto ambiental, comparável ao da indústria do petróleo

De acordo com estudo da ONU de 2019, a produção de roupas no mundo dobrou entre 2000 e 2014, o que também mostra que se trata de uma indústria “responsável por 20% do total de desperdício de água globalmente”.

O mesmo relatório indica que apenas a produção de um par de jeans consome 7.500 litros de água e destaca que a fabricação de roupas e calçados gera 8% dos gases de efeito estufa, e que “a cada segundo é enterrada ou queimada uma quantidade de tecidos equivalente a um caminhão de lixo.”

Veja o vídeo do lixão de Atacama

 

Foto-BBC

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