1- Marcus Alexandre
Espanto de uns, apoio de outros. Assim foi recebida a notinha da coluna anterior sobre conversas que levariam o ex-prefeito de Rio Branco e ex-petista Marcus Alexandre para o partido Progressistas. Dentro do partido a ala pró-Bocalom chiou alegando que “Boca” é o candidato natural do PP para concorrer à reeleição. Mas na eleição municipal passada também era e Gladson apoiou Socorro Néri, então no PSB. Outros detalhes se somam. Um deles é que a ala pró-Bocalom dentro do partido diminuiu; Gladson Cameli tem força lá dentro, tanto que apesar do apoio à principal adversária do candidato Progressista, foi recebido com tapete vermelho ao retornar e terceiro mas não menos importante, o guru de Marcus Alexandre é Gilberto Siqueira que está trabalhando com o governador. Siqueira é uma das maiores inteligências dos bastidores políticos e poderia acrescentar facilmente Competência como seu nome do meio.
2- E la nave vá
O ex-prefeito negou estar conversando com o governador Gladson Cameli. Sempre negam. É padrão de comportamento político. Aliás, a polícia não teria trabalho nenhum se o criminoso falasse a verdade. O mesmo vale para a relação Jornalista/político. Raros são os fogem a esse padrão de comportamento. Na Assembleia Legislativa do Acre, anos atrás, um deputado rompeu com essa tradição. Assumia a corrupção. Quando os outros negavam ter recebido para aprovar algum projeto, ele mostrava o cheque de pagamento. Sim, era no tempo do cheque. Resumo, ninguém batia nele justamente pela honestidade em assumir a desonestidade. E la nave vá, com eles tentando esconder e os jornalistas tentando descobrir. Se a intenção vai se concretizar, o tempo dirá, mas que las brujas existen, existen.
3-Incidente em Tarauacá
No livro Incidente em Antares, cidade fictícia do livro de Érico Veríssimo, sete mortos ficam insepultos e começam a conviver com os vivos. Eles passam a divulgar todos os podres dos “cidadãos de bem” da cidade, incluindo a corrupção dos mandantes. Tudo o que estava escondido há anos torna-se público. Em Tarauacá, a prefeita Néia Sérgio (PDT) divulgou que o cemitério local não tem espaço para nenhuma sepultura mais. Apesar do misticismo da prefeita ninguém imagina nada semelhante ao que acontece no livro de Veríssimo, mas que tem muita gente torcendo que os vivos de lá sigam o exemplo dos mortos de Antares, lá isso tem.
4- Prejuízos…
A gestão do presidente do Banco Central, Campos Neto é responsável pelo estouro da inflação em 2021 e 2022: divulgou dados errados sobre o fluxo cambial no ano passado e acumulou um prejuízo de R$ 298,5 bilhões em 2022. Tudo isso enquanto maneja dados como a exorbitante taxa básica de juros, a Selic, mantida em 13,75% . Além disso, o presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto é acusado de ter sido determinante para o aumento do genocídio yanomami e da expansão do garimpo ilegal e criminoso nas terras indígenas. Uma ação sigilosa do BC aponta que em 2021 o BC aumentou as reservas de ouro em 92% em apenas três meses. A compra praticamente duplicou as reservas e ajudou na valorização do metal, aumentando a lucratividade do garimpo ilegal nas terras indígenas. Para o advogado Emanuel Cancella, Campos Neto cometeu crime de receptação, previsto no art. 180 do Código Penal, quando comprou toneladas de ouro do garimpo ilegal da reserva Yanomami. Segundo ele, o general Heleno autorizou traficante de drogas a explorar garimpo na Terra Indígena. Gilmar Mendes está nas pegadas.
5-…em série
Os juros altos podem levar o país a recessão. Para se ter uma ideia, um rico que investe 15 milhões de reais no Tesouro Nacional ganha como que uma Loto Fácil por ano, com juros e correção monetária. Quem tem uma quantia dessas para investir e ganhar não tem interesse em abrir uma empresa para gerar empregos. Estes são os beneficiados pelos altos juros do BC em detrimento da Economia do país. Este tipo de aplicação é responsável pela falta de empregos que atinge mais de 8 milhões de trabalhadores no Brasil. Também é responsável pelo endividamento de 78% das famílias no país. A política desastrosa do Banco Central imola a população brasileira no altar dos bancos. Um funcionário público que cai no engodo do empréstimo consignado fica escravo do banco que desconta em folha os altos juros de seu empréstimo. Detalhe: lucros e dividendos são isentos de impostos no Brasil. Desse jeito não há Economia nacional que resista…nem trabalhador.
6- Márcio Bittar
Para muitos, o senador Márcio Bittar (União), pode se considerar fora da política no Acre. Em que seja precipitada a avaliação, Márcio andou fazendo apostas políticas equivocadas: achou que Jair Bolsonaro (PL), seria reeleito e centrou sua campanha e a da ex-mulher Márcia, nisso; se afastou do governador Gladson Cameli (PP); se desentendeu com o senador Sérgio Petecão (PSD), que jogou um papel decisivo na eleição de Bittar; não apoiou a candidatura vitoriosa de Alan Rick do mesmo partido dele. Perdeu espaços no governo estadual e federal e pode perder o partido. Mas ao contrário do que pensam, mesmo saindo da política após os 4 anos que lhe restam como senador, Márcio não deve ficar longe da região. De acordo com moradores do município amazonense de Boca do Acre, o senador comprou várias fazendas na região durante o mandato. Se a conversa for verdadeira ele terá que se fazer presente na área e não duvidem que consiga outro mandato, mesmo que seja pelo estado do Amazonas. Portanto, não contem com o fim político de Márcio Bittar, ele é um sobrevivente.
7-Federação
A finalização do acordo entre o PP e o União Brasil para a formação de mais uma federação está prevista para o mês de março, próximo. Março já aponta na esquina e as mudanças que a decisão provocará deverão ser registradas tanto na esfera federal quanto em âmbito estadual. Uma mudança nos cargos é a mais previsível. A federação ficará com a maior bancada na Câmara dos Deputados, com 108 deputados. Também terá 15 senadores. E se o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira é considerado um aumentativo de esperto, o presidente do União Brasil, o camaleão Luciano Bivar, não fica atrás. A diferença entre os dois caciques é que Ciro ostenta o poder e Bivar é mais do estilo “mineirinho come quieto”.
8- Respingos
A Federação PP/União leva à especulação sobre mudanças nos cargos no Acre. Embora o tamanho do grupo deva resultar em maior pressão pela distribuição de espaços no governo federal o União Brasil quer aumentar seus cargos no segundo escalão. O vice-presidente do União Brasil, Antonio Rueda, será copresidente da Federação junto com Ciro Nogueira. Ora, Antonio é irmão de Fábio Rueda, o que pode significar muito ou não significar nada. Nos bastidores, apontam Fábio Rueda como candidatíssimo a sucessão de Pedro Pascoal no comando da Secretaria de Saúde. Entretanto o peso de Ciro Nogueira poderá ser maior, caso o governador do Acre solicite ajuda. Isto porque Pedro Pascoal surpreendeu positivamente como Secretário de Saúde, coisa que há muito tempo não se via no estado e uma mudança nesse contexto poderia ser traumática. De Fábio Rueda, pouco se sabe além do fato de ser médico e ter feito uma campanha milionária para deputado federal, sem sucesso. Fábio Rueda obteve 12.608 votos e ficou como 1º suplente do União Brasil.
9- O peixe e a cruz
Nesta quarta-feira de cinzas, muitos católicos tradicionais trocaram a carne pelo peixe, uma antiga tradição que remonta a Idade Média, mais especificamente por volta do século IX . Junto com a tradição das cinzas, era prática realizada no Oriente Médio na Antiguidade. As práticas foram incorporadas pelo Papa Nicolau I (810 a 867). Nicolau I também conhecido como O Grande, foi quem impôs a autoridade papal sobre a dos reis e governantes, que deveriam se subordinar a autoridade dele. Na explicação oficial a tradição é que se deve fazer jejum e não comer carne para que os fiéis se identifiquem com o sacrifício de Jesus ao se privar de uma coisa de que gostam. O hábito de comer peixe se justificava na época porque a carne era artigo de luxo, rara à mesa das pessoas mais pobres. O peixe, por outro lado, era abundante e barato, por isso comum nas refeições dos mais humildes. Atualmente o peixe está tão ou mais caro que a carne e o preço sobe ainda mais por ocasião da quarta-feira de cinzas e da sexta-feira santa. Os cristãos ortodoxos entretanto, nunca celebraram a Quarta-Feira de Cinzas. E os não católicos não entendem como alguém pode ser barrado na entrada do paraíso por um peixe. Para estes, existem motivos bem maiores para ir para o inferno e as igrejas estão lotadas deles.
10- Efeito eleição
Nada como uma campanha eleitoral que se avizinha para tornar os inertes, dinâmicos. Nessas horas o bom senso desce e o populismo sobe. Nos últimos dias o prefeito da capital, Tião Bocalom (PP), foi de folião a trabalhador da construção civil num piscar de olhos. E não, não é necessário que um prefeito assuma o posto de mestre de obras para mostrar trabalho. Ao contrário. Para a realização de obras públicas são feitas licitações e a prefeitura tem uma Secretaria de Obras para fiscalizar. Trepar numa parada de ônibus em construção não melhora a aceitação e beira a pieguice. Os próprios vereadores têm outras reivindicações mais urgentes. O vereador Fábio Araújo diz que o bairro Santa Cecília está destruído; N-Lima afirma que os bairros da capital não têm sinalização adequada e Hildegard Pascoal diz que quem tem tapado os buracos das ruas de Rio Branco é a população. Segundo informações, Bocalom quer a reeleição como trampolim para uma candidatura ao Senado em 2026, quer repetir o feito de Zezinho Barbary que foi de prefeito de um município isolado com menos de 12 mil habitantes para deputado federal. Tudo é possível, mas o caminho não passa por contorcionismos em obra em construção. Fica a dica.
Bom dia, prefeito Mazinho Serafim (União). Quer dizer que Vossa Excelência pretende municipalizar o hospital de Sena Madureira? O deputado Gérlen Diniz (PP), que o acusa de “sumir” com uma rampa de 500 mil reais já sabe disso? O prefeito gosta mesmo de confusão, é?
Esta é uma coluna de opinião
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