Extrema Direita ou se cala ou defende Trump
Enquanto o Lula (PT), se revoltou com o tratamento humilhante dado por Trump aos brasileiros, Jair Bolsonaro (PL), defendeu o presidente dos Estados Unidos. Em entrevista à CNN nesta quinta-feira (23), o ex-presidente do Brasil disse: “Lá é a casa dele, como aqui é a nossa. Uma parte disso foi gente que não tinha qualquer qualificação para ir para lá. Empurraram para lá muito tipo de gente que frequentava até presídios. “Ele está fazendo a coisa certa. Foi compromisso de campanha”. Bolsonaro afirmou que “no lugar dele, faria o mesmo”. “Lá é a casa dele, aqui é a nossa. Quem não está de forma legal tem que buscar uma maneira de se legalizar, não são apenas brasileiros. Ele não mentiu e está fazendo a coisa certa. Nós não temos esse problema aqui, mas ele está cumprindo o que prometeu, e no lugar dele, eu faria o mesmo”, afirmou Bolsonaro.
O triste episódio evidencia a diferença entre a Extrema Direita brasileira e as demais ideologias.
Enquanto parlamentares extremistas brasileiros, pagos com dinheiro público para defender a população brasileira festejavam nos EUA a vitória de Donald Trump, os brasileiros começaram a ser deportados dos Estados Unidos.
A deportação dos brasileiros foi ignorada pelo grupo que viajou aos EUA para comemorar a posse de Trump mesmo sem poder assisti-la presencialmente. Carla Zambelli (PL-SP), Marcel Van Hattem (Novo-RS), dentre os outros, entre os quais Michelle Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro não se manifestaram sobre a deportação dos brasileiros em condições humilhantes- algemados e acorrentados.
O senador Flávio Bolsonaro (PL), foi dos poucos que se manifestaram sobre a deportação dos brasileiros. Ele disse que os imigrantes são “condenados por crimes como terrorismo, abuso sexual de menores e integrantes de gangue”.
A Extrema Direita brasileira não prioriza o Brasil. Defende a submissão do Brasil aos Estados Unidos. Eles defendem a máxima de Trump, MAGA, Make America Great Again (Faça a América Grande Novamente). Ocorre que o MAGA refere-se exclusivamente aos EUA às custas da submissão dos outros países, inclusive o Brasil.
Eles são contra o Programa Pé de Meia que incentiva estudantes pobres com um repasse financeiro, mas querem transformar clubes de tiro em organizações de “interesse público”. Projeto de autoria do deputado Marcos Pollon (PL-MS), integrante da bancada da bala e aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Essa é uma situação que vai se intensificar com Trump, que prometeu deportação em massa. E pensar que esses bolsonaristas festejam Trump, que quer humilhar nosso povo”, lamentou a presidenta do PT, Gleisi Hoffmann.
Expulsos dos EUA brasileiros são acolhidos no Brasil
88 brasileiros deportados chegarem ao Brasil algemados e acorrentados por ordem do governo dos Estados Unidos. O voo tinha como destino inicial o Aeroporto Internacional de Confins, em Belo Horizonte (MG), mas precisou fazer um pouso de emergência na noite desta sexta-feira (24) em Manaus devido a problemas técnicos. O presidente Lula determinou o resgate dos brasileiros da aeronave estadunidense. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, foi pessoalmente a Manaus.
Por determinação do presidente Lula e do ministro Ricardo Lewandowski, os agentes da Polícia Federal em Manaus, proibiram que os deportados fossem detidos pelos americanos novamente. Houve resistência por parte dos agentes estadunidenses em liberar o grupo de brasileiros em solo brasileiro. “Após a chegada da Polícia Federal, depois de muita discussão, muita briga, com a presença da Polícia Federal, eles não queriam deixar a gente descer, disse um dos deportados. O rapaz contou que apenas após a intervenção do superintendente-geral da PF o grupo foi retirado da aeronave.
Os passageiros foram acolhidos e acomodados na área restrita do aeroporto, onde receberam bebida, comida, colchões e acesso a banheiros com chuveiros. Equipes dos governos estadual e federal ofereceram água, alimentos e atendimento psicológico ao grupo.
O governo federal disponibilizou um avião da FAB para encaminhar os deportados até Minas Gerais, terra de origem deles. De acordo com o G1, “os brasileiros choraram de alegria e bateram palmas quando tiveram a notícia de que seriam resgatados por voo da FAB e que não seriam algemados ou acorrentados”.
Segundo os relatos, os deportados estavam algemados durante o voo, enfrentaram dificuldade para respirar e relataram episódios de pessoas passando mal. Muitos tiveram restrições severas para usar o banheiro e para receber água ou alimentos. Os protestos dos passageiros para que as condições fossem amenizadas resultaram em discussões que, de acordo com os depoimentos, levaram às agressões físicas.
“Eu não fui agredido, mas os meninos foram. Eles estavam algemados, meteram o porrete neles sem dó. Desumano. Chutes, jogando os moleques no chão. Em um deles, um cara deu um mata-leão”, afirmou Luiz Fernando Caetano Costa, que vivia nos Estados Unidos há um ano e meio e retornou no voo de deportação.
Segundo o deportado Mario Henrique Andrade Mateus, de 41 anos, os agentes americanos usaram de violência até contra crianças. “Alguns rapazes mais novos começaram a ver as crianças passando mal, eles estavam falando para tirar as crianças. Os agentes dos Estados Unidos não queriam deixar a gente sair. Agrediram um dos meninos, derrubaram ele no chão e deram um chute nele”.
No desembarque no Aeroporto de Confins, vários imigrantes mostraram marcas das algemas apertadas e ferimentos nas costas. Alguns dos retornados realizaram exame de corpo de delito em Manaus para comprovar as agressões sofridas. “É desumano. Ninguém merece ser tratado assim, ainda mais crianças. O que a gente viu nesse voo foi revoltante”, declarou um dos deportados que preferiu não se identificar.
O Itamaraty vai fazer uma comunicação formal ao governo dos Estados Unidos. O objetivo é exigir explicações sobre as condições em que os brasileiros foram deportados e medidas que evitem a repetição de episódios como acorrentar e algemar brasileiros e a ausência de representantes consulares brasileiros durante o embarque.
Ser patriota não é vestir a camisa da seleção brasileira. São ações em defesa do povo brasileiro.
Imagem- Jota
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