Deputado federal e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro aparece duas vezes na delação de Mauro Cid, como integrante da ala radical e ponte com grupos armados para a trama golpista
O nome do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) aparece em dois contextos no depoimento de Mauro Cid, vazado neste domingo (26). O primeiro, como integrante da ala mais radical da trama golpista, ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o segundo, como um importante elo com os Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CACs).
Segundo o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), os grupos armados (CACs) eram vistos como um possível apoio para o ex-presidente Jair Bolsonaro, com a possibilidade de serem usados como uma milícia, em caso de golpe de Estado.
Os membros desse movimento armado, que defendiam uma abordagem mais radical, acreditavam que poderiam apoiar o ex-presidente caso ele decidisse reverter a derrota nas urnas.
Eduardo Bolsonaro e os CACs
Cid mencionou Eduardo Bolsonaro como uma figura central na comunicação com os CACs. O deputado mantinha contato constante com esse grupo e procurava garantir que o apoio deles fosse mobilizado para pressionar seu pai a adotar uma postura mais combativa contra o resultado eleitoral.
A relação entre os CACs e o deputado foi descrita como estratégica, com os membros do grupo acreditando que poderiam exercer pressão significativa sobre o governo. Essa estreita ligação entre Eduardo Bolsonaro, os CACs e os radicais que buscavam reverter o resultado das eleições fez parte de uma rede de alianças que visavam pressionar o ex-presidente a adotar medidas drásticas, incluindo a possibilidade de um golpe de Estado.
Eduardo Bolsonaro: defensor do armamento civil
Eduardo é um dos maiores defensores do armamento civil no Brasil. Sua trajetória política é fortemente marcada pela promoção dos direitos dos CACs e pelo incentivo à flexibilização das leis de posse e porte de armas no país.
Ao longo dos anos, Eduardo tem mobilizado suas ações políticas para facilitar o acesso da população ao armamento e garantir maior autonomia para os CACs, um dos segmentos mais organizados do setor armamentista. Em sua atuação legislativa, tem defendido, por exemplo, a isenção de impostos para a compra de armas por CACs e a flexibilização das regras para posse e porte.
O parlamentar acredita que o armamento da população é uma medida eficaz para garantir a segurança pública, especialmente diante de uma crescente desconfiança nas instituições de segurança. Durante seu mandato, Eduardo tem pressionado por políticas públicas que atendam aos interesses desse grupo, ampliando os direitos dos cidadãos armados.
Uma de suas principais iniciativas foi lutar para que os CACs fossem reconhecidos como uma categoria de “atividade de risco”, o que lhes daria maior poder sobre a posse e porte de armas. Além disso, tem se mobilizado nas assembleias estaduais para que leis locais facilitem o acesso ao porte de armas, dando mais poder aos governos regionais para flexibilizar essas regras.
Em 2022, durante a campanha presidencial de seu pai, Eduardo Bolsonaro fez um apelo aos cidadãos armados, sugerindo que aqueles com armas legalizadas se engajassem ativamente na campanha de reeleição, propondo-se a ser voluntários e fortalecendo a base de apoio de Bolsonaro entre os armamentistas.
Esse movimento foi parte de uma estratégia maior para mobilizar o setor e garantir que os eleitores mais conservadores se sentissem representados pela candidatura de Jair Bolsonaro.
Elos internacionais
Além disso, Eduardo Bolsonaro tem estreitado laços com grupos armamentistas internacionais. Em 2017, ele e seu irmão, Carlos Bolsonaro, visitaram um clube de tiro nos Estados Unidos, o 88 Tactical, onde se encontraram com representantes da National Rifle Association (NRA), a principal organização armamentista do país. O encontro simbolizou a aproximação entre o movimento armamentista brasileiro e as entidades que defendem a desregulamentação do controle de armas nos Estados Unidos.
Eduardo também se tornou uma figura central na defesa de políticas de armas durante o governo de seu pai. Durante a presidência de Jair Bolsonaro, foi uma das figuras-chave por trás da implementação de decretos que facilitaram a compra de armamentos no Brasil. Além disso, buscou apoio político nos legislativos estaduais para desburocratizar o porte de armas e torná-lo mais acessível à população.
Crescimento dos CACs com Bolsonaro
Durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), a política armamentista brasileira passou por mudanças significativas, refletidas em diversos indicadores numéricos desde então:
Crescimento no número de armas registradas
- Entre 2019 e 2022, o Brasil registrou 1.354.751 novas armas, resultando em um aumento de 50% no total de armas em circulação no país.
Expansão do número de CACs (Caçadores, Atiradores e Colecionadores)
- Em julho de 2019, havia 167.390 registros de CACs.
- Em março de 2022, esse número saltou para 605.313, representando um aumento de 262%.
Aumento no número de clubes de tiro
- Em 2019, havia 151 clubes de tiro registrados no Brasil.
- Em 2022, esse número cresceu para 2.038, um aumento de 1.400%.
Utilização de armas por facções criminosas:
- Desde 2016, organizações criminosas têm utilizado CACs para facilitar o acesso a armas e munições, com um aumento expressivo nos casos registrados e noticiados pela imprensa especialmente em 2022 e 2023. (Instituto Sou da Paz)
Efeitos da política armamentista de Bolsonaro
A política armamentista implementada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que ampliou o acesso a armas de fogo no Brasil, gerou diversos efeitos negativos para a sociedade e a segurança pública.
Aumento da violência e dos homicídios
Especialistas apontam que a maior circulação de armas de fogo está associada ao aumento de homicídios e outros crimes violentos. Estudos indicam que a difusão de armas de fogo contribui para maiores taxas de homicídios, feminicídios, acidentes fatais envolvendo armas e suicídios. (Instituto Sou da Paz)
Facilidade de acesso a armamentos
A flexibilização das leis de posse e porte de armas facilitou o acesso a armamentos, incluindo armas de grosso calibre, por civis. Em 2021, o Exército concedeu mais de mil novos registros por dia para Caçadores, Atiradores e Colecionadores (CACs), resultando em um aumento significativo no número de armas em circulação.(Instituto Sou da Paz)
Risco para a segurança pública
A maior presença de armas de fogo na sociedade eleva o risco de conflitos violentos, incluindo brigas domésticas e disputas de trânsito, além de aumentar o risco de acidentes fatais envolvendo armas. A circulação de armamentos também representa um risco para os agentes de segurança, que enfrentam criminosos mais bem armados.
Fortalecimento de grupos criminosos
A política armamentista contribuiu para o fortalecimento de grupos criminosos, que obtiveram armas de fogo de alto poder de fogo, muitas vezes adquiridas legalmente e posteriormente desviadas para o mercado ilegal. Operações policiais têm apreendido arsenais significativos em posse de indivíduos com registros legais, indicando o desvio de armamentos para o crime organizado. As informações são da Revista Fórum.
Leia Aqui a íntegra do depoimento de Mauro Cid
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