Encerra nesta quinta, 27: Festival Transamazônico exalta cultura e direitos humanos

Encerra nesta quinta, 27: Festival Transamazônico exalta cultura e direitos humanos

O segundo dia do Festival Transamazônico de Cinema LGBTQIAPN+ seguiu envolvendo o público nesta quarta-feira, 26, com a exibição de mais curtas e longas-metragens que dão luz a vivências e desejos da comunidade. De maneira presencial e gratuita, o evento celebrou o amor pelo cinema e a reivindicação de direitos humanos, no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco.

O Festival Transamazônico é um projeto aprovado pela Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022), que representa o maior investimento direto já realizado no setor cultural do Brasil, destinando R$ 3,8 bilhões para a execução de ações e projetos culturais em todo o território nacional.

O governo do Acre prestou apoio ao evento por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), da Secretaria de Comunicação (Secom) e da Fundação Elias Mansour (FEM), contribuindo com a divulgação, mobilização do público atendido e cessão do espaço.

Olhos para a Amazônia

A curadoria dos filmes projetados na atual edição do festival foi feita por nomes respeitados no meio cinematográfico, como Kika Sena, Nena Mubarac e Clemilson Farias. Espalhados pelo Brasil, o time de curadores incluiu uma ampla variedade na seleção de curtas e longas-metragens, buscando maior destaque para produções amazônicas e obras com forte impacto social.

Kika Sena, atriz, poeta e roteirista alagoana, tem uma relação especial com o Acre, onde viveu por quatro anos e realizou conquistas, como ser a primeira mulher trans a obter o título de mestre na Universidade Federal do Acre (Ufac), em Teoria e Prática das Artes Cênicas, e participar do premiado filme Noites Alienígenas, do diretor Sérgio de Carvalho.

Seu protagonismo também brilhou no longa Paloma, exibido no primeiro dia do evento. Dirigido por Marcelo Gomes, o drama conta a história de uma mulher transexual, produtora rural, que sonha em se casar na igreja com o namorado, mas enfrenta resistência da igreja e da sociedade local. Baseado em uma história verídica ocorrida no sertão de Pernambuco, o reconhecimento do filme garantiu, para Kika, o Troféu Redentor de melhor atriz no Festival do Rio, em 2022.

Quanto ao processo de escolha de produções para o Festival Transamazônico, a artista explica: “A curadoria define o tom, e por isso construímos uma seleção de filmes pensando em como poderíamos tocar o nosso público”. Sobre as temáticas dos filmes exibidos, define, em poucas palavras: “Nascimento, presença e prosperidade”.

Reflexo de resistências e afetos

As palavras apontadas pela curadora se refletem diretamente nos filmes do segundo dia do festival. De início, foram apresentados os curtas Nome Sujo, A Menina Atrás do Espelho e Bixas Pretas: Entre o Amor e os Afetos.

Acompanhado dos curtas-metragens, também esteve Alma do Deserto, filme coproduzido entre Brasil e Colômbia, que se volta para documentar a jornada de Georgina Epiayu, uma mulher transgênero da etnia Wayúu, dos povos originários da América, na tentativa de emitir sua carteira de identidade. Dirigido por Mónica Taboada-Tapia, o documentário revela a luta por reconhecimento de uma mulher de 70 anos em busca de seus direitos fundamentais após anos de negligência da sociedade em que vive.

Nesta quinta-feira, 27, último dia do Festival Transamazônico, a programação no Cine Teatro Recreio se inicia às 16 horas, com a apresentação de quatro curtas e dois longas, um deles Maués: a Garça, produção acreana sobre uma figura icônica da cena LGBTQIAPN+ do Acre. E, dando o primeiro grito de Carnaval de 2025, o evento será finalizado na Casa do Rio, às 21h30, com o Cine Fest Queer, celebrando a diversidade com música ao vivo, DJ set e performances de dança.

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