Casado com uma fazendeira capixaba, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ganhou projeção nacional como líder da bancada evangélica e um dos principais porta-vozes da direita bolsonarista.
Ele integra a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e vota em conjunto com a bancada ruralista quando o assunto é a criminalização da luta pela terra. Em 2023, foi um dos signatários pela instalação da CPI do MST e é autor de vários requerimentos contra o movimento sem-terra. Quase todos, arquivados.
O ataque contra os povos do campo também faz parte de sua rede de financiadores: três dos doadores de campanha de Nikolas Ferreira estiveram envolvidos em violações de direitos contra quilombolas, indígenas e comunidades rurais.
De Olho nos Ruralistas publicou uma reportagem que está no vídeo abaixo, mostrando o histórico dos empresários doadores de campanha de Nikolas Ferreira. Entre eles, estão influenciadores que promovem “jogo do tigrinho” e golpes financeiros, indiciados por financiar atos antidemocráticos e um dono de supermercados cujas redes de relações chegam até o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
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Um dos doadores retratados no vídeo é o empresário mineiro Gabriel Thadeu Baya Andrade, que doou para campanha de Nikolas, via Pix. Gabriel é sócio da Ônix Céu Aberto, uma das mineradoras que protagonizam um conflito contra a Comunidade Quilombola de Queimadas, no Vale do Jequitinhonha. Um dossiê feito em 2024 pela Federação das Comunidades Quilombolas do Estado de Minas Gerais (N’Golo) e pelo Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) acusa a Ônix e outra mineradora, a Herculano, de infiltrarem apoiadores na Associação Quilombola de Queimadas. O objetivo seria facilitar o licenciamento de atividades de mineração de ferro na região, no município de Serro.
Segundo o relato dos quilombolas, elas abrem estradas e desmatam a região, sem consultar as comunidades afetadas e intimidando aqueles contrários ao projeto.
Durante as enchentes de 2024 em Porto Alegre, Nikolas posicionou-se contra a política do Ministério da Igualdade Racial de monitorar o impacto nas comunidades ciganas e quilombolas. ” A prioridade deve ser para todos que estejam necessitando, independente de qualquer coisa”, disse à época.
DOADOR DE 2020 É ACUSADO DE SECAR NASCENTES NA BACIA DO RIO DOCE
Para ser eleito vereador em Belo Horizonte, em 2020, Nikolas Ferreira recebeu doações como a de Mauricio Toledo Jacob, dono do grupo Toledo Mineração, uma das maiores produtoras de mármores e granitos do Brasil, com jazidas em Minas e no Espírito Santo. E tem ainda uma empresa de pecuária bovina no Norte mineiro, com capital de R$ 8,5 milhões.
Mauricio Toledo já foi prefeito em Mantena, no Vale do Rio Doce. O jornalista Lauro Jardim no jornal O Globo, contou que ele teve de devolver R$ 650 mil aos cofres mineiros por falhas nos repasses de recursos ao município. Ele também é alvo de denúncia do MPF por extrair 1.016 m³ de granito além do permitido, entre 2005 e 2006, no Espírito Santo.
Uma de suas empresas, a Serra Leste Mineração, foi acusada em 2022 por moradores da comunidade de Barreira de Cima, em Guanhães, de poluir um córrego e secar as nascentes da região, na Bacia do Rio Doce.
Os casos vieram à tona após Toledo doar R$ 50 mil para a campanha de outro influenciador da extrema direita: Pablo Marçal, um aliado próximo de Nikolas Ferreira.
MADEIREIRO QUE DOOU EM VAQUINHA FOI CONDENADO POR CRIME AMBIENTAL
Parte da campanha de Nikolas Ferreira à Câmara, em 2022, foi financiada por doações feitas por um site de vaquinhas on-line, o Quero Apoiar. Foram arrecadados R$ 31.124,72 dessa forma.
Uma das doações de R$ 1 mil veio do madeireiro Heliton Peixer Baleeiro, da Brasil Madeiras, com sede em Espigão D’Oeste (RO). Em 2022, ele foi flagrado pelo Ibama com madeira de origem desconhecida. Na época, os fiscais concluíram que elas só podiam ter saído das Terras Indígenas Zoró, Sete de Setembro e Roosevelt.
Em 2023, a Justiça absolveu o doador Baleeiro da acusação de receptação, pois não ficou comprovada a origem criminosa do material. Mas ele foi condenado por crime ambiental por comercializar madeira sem licenciamento. As informações são do De Olho nos Ruralistas.
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