EUA quer dominar o SUS, as telecomunicações e o etanol no Brasil

EUA quer dominar o SUS, as telecomunicações e o etanol no Brasil

 Empresas dos EUA pedem pressão por novo levante neoliberal no Brasil. Farmacêuticas e Telecom devem usar lobby de entreguistas no congresso brasileiro para mudar legislação

Os Estados Unidos preparam uma ofensiva neoliberal sobre setores importantes essenciais no Brasil, como as telecomunicações e a Saúde, especialmente as patentes de medicamentos, desenvolvidos em parte com matéria-prima disponível na vasta diversidade ambiental da Amazônia e outros biomas brasileiros.

As grandes companhias do país uma lista de áreas que têm interesse em avançar no Brasil. A indústria farmacêutica ainda sinaliza que vai incrementar ainda mais o lobby no legislativo – que tem no bolsonarismo seus principais representantes – ao afirmar que “o Brasil também deve implementar mecanismos legais para pesquisas farmacêuticas.

Para isso o setor privado estadunidense apresentou uma lista de pedidos ao governo de Donald Trump, destacando barreiras que enfrentam para acessar o mercado brasileiro. O documento foi submetido ao Escritório de Comércio da Casa Branca (USTR, sigla em inglês) no dia 11 de março, como parte da avaliação da nova administração estadunidense sobre tarifas a serem impostas a parceiros comerciais.

A entidade, que se apresenta como a maior câmara de comércio do mundo, com 3 milhões de associados, sugere a eliminação de tarifas em vez da imposição de novas barreiras. Para a Câmara, os EUA precisam de “mais acordos de abertura de mercados”,

Telecom

Após investida no governo Jair Bolsonaro (PL) para avançar com a Starlink nas telecomunicações do Brasil, o atual secretário de “eficiência governamental” de Trump, Elon Musk, conta com o lobby do setor nos EUA para um novo levante no país, agora sob a gestão Lula.

Segundo a Revista Fórum, na carta a Trump, os representantes do setor reclamam das “inúmeras exigências regulatórias onerosas às empresas que operam no setor de telecomunicações”.

“A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) não aceita dados de teste gerados fora do Brasil, exceto em casos limitados em que o equipamento é fisicamente muito grande ou caro para ser transportado. Isso exige que quase todos os testes de equipamentos de TI/telecomunicação – incluindo telefones celulares e cabos ópticos – sejam realizados no Brasil, o que gera aumento de custos e atrasos”, diz o texto.

Na “recomendação”, o setor privado dos EUA também contam com o lobby de parlamentares entreguistas para derrubar barreiras regulatórias que, segundo eles, “criam obstáculos desnecessários à entrada no mercado, atrasam o tempo de colocação no mercado dos produtos dos EUA e aumentam os custos para as empresas que exportam para o Brasil”.

Etanol

No documento, as empresas ainda pedem pressão de Trump para que o Brasil reduza as tarifas de etanol “para garantir a reciprocidade e permitir um acesso justo ao mercado para os produtores dos EUA”.

Produzido de forma mais cara, geralmente a partir da beterraba, o etanol dos EUA teria uma taxação de 18% para entrar no mercado brasileiro, enquanto o álcool brasileiro, à base de cana de açúcar, paga tarifa de 2,5%.

“Além disso, os produtores brasileiros se beneficiam do acesso aos programas dos EUA, como o Renewable Fuels Standard
e o Low Carbon Fuel Standard da Califórnia, enquanto o etanol dos EUA não tem acesso ao programa RenovaBio do Brasil”, dizem as empresas sobre programas de sustentabilidade nos EUA.

Na carta ainda há reclamação sobre o sistema tributário brasileiro – “um dos mais complexos do mundo ” – e pede pressão para redução de “encargos administrativos das empresas à medida que a reforma tributária for implementada”.

Essa é uma das principais bandeiras neoliberais levantadas pela mídia alinhada aos interesses das transnacionais, como o grupo Globo, no país.

Imagem- Diario Octubre

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