Que rei sou eu?: Trump desafia a Justiça dos EUA e deporta venezuelanos para El Salvador

Que rei sou eu?: Trump desafia a Justiça dos EUA e deporta venezuelanos para El Salvador

Trump quer adotar medida com base em lei do século 18 e ignorar ordem de juiz

Os voos de deportação com 261 venezuelanos para o Equador aconteceram no sábado (15). 137 removidas sob a lei do século 18 e mais de cem outras removidas através de procedimentos padrão de imigração.

O juiz distrital dos EUA James Boasberg havia bloqueado temporariamente as deportações para considerar as que as deportações estavam ocorrendo sem o devido processo legal e que quaisquer aviões já no ar com os migrantes deveriam retornar aos EUA. Mas o governo Trump respondeu que os deportados já estavam sob custódia de El Salvador, que se ofereceu para recebê-los. Trump acusa a justiça dos EUA de persegui-lo e prometendo investigar o que chamou de abusos e corrupção. Primeiro presidente condenado criminalmente na história do país, Trump também demitiu dez advogados de carreira do órgão que trabalharam nos processos contra ele.

A lei de 1798 autoriza a detenção e deportação de estrangeiros dos EUA em períodos de guerra declarada. O governo Trump afirma que a gangue vem “conduzindo uma guerra irregular e tomando ações hostis contra os Estados Unidos”. A gestão Trump tem descrito venezuelanos deportados como membros de gangues, monstros ou “terroristas estrangeiros”, mas não costuma fornecer evidências para apoiar suas afirmações. Grupos de direitos humanos como a União Americana para Liberdades Civis (ACLU) criticam o governo por aplicar o rótulo aos imigrantes sem providenciar as evidências de cada caso.

No domingo (16), o presidente Ultra Direitista de El Salvador, Nayib Bukele, publicou no X imagens mostrando homens sendo retirados de um avião no meio da noite. “Ops… tarde demais,” escreveu Bukele acima de uma notícia sobre a ordem do juiz bloqueando a ação. Bukele está transformando o El Salvador em cadeia dos EUA.

Na verdade, a maioria dos venezuelanos que imigrou para os Estados Unidos é composta de inimigos do governo Nicolás Maduro.  Os EUA deram suporte à oposição à Maduro, reconheceu Juan Guaidó como presidente e se apropriou de  bilhões em ativos da Venezuela e chegaram a oferecer recompensa de R$ 150 milhões pela captura de Maduro, medidas que incentivaram adversários de Maduro a buscar refúgio nos Estados Unidos.

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, um dos principais aliados políticos de Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira que os deportados não tiveram direito ao devido processo legal. Segundo ele, Caracas não identifica os deportados como pessoas que teriam cometidos crimes nem nos EUA nem em El Salvador, e o regime fará o possível para levá-los de volta à Venezuela.

“O que está sendo cometido contra os venezuelanos sequestrados em El Salvador e contra os migrantes venezuelanos nos EUA é um crime contra a humanidade”, disse Rodríguez. “Não vale a pena o suposto sonho americano transformado em pesadelo salvadorenho. É um sequestro vulgar o que está ocorrendo”, afirmou.

Rodríguez também disse que pedirá ao regime que emita um aviso para que venezuelanos não viajem para os EUA e instou compatriotas que migraram para lá a retornarem.

Com o Congresso controlado pelo Partido Republicano, que apoia amplamente a agenda de Trump, os juízes federais têm sido a única restrição aos decretos do presidente, suspendendo muitos deles enquanto consideram se a medida é legal ou não. Em alguns casos, grupos ativistas afirmam que o governo está se recusando a cumprir ordens judiciais.

Desde que assumiu o cargo em janeiro, Trump tem tentado empurrar os limites do Executivo, cortando gastos já autorizados pelo Congresso, desmantelando agências federais e demitindo dezenas de milhares de trabalhadores do governo.

 

Imagem- Aventuras na História

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