Viagem de Lula ao Japão deve abrir mercado para produtos brasileiros como carne, aviões e combustíveis

Viagem de Lula ao Japão deve abrir mercado para produtos brasileiros como carne, aviões e combustíveis

 Na pauta, estão a abertura inédita do mercado de carnes japonês para o Brasil, além da venda de aviões e biocombustíveis

A vista a Tóquio começa de fato nesta terça-feira (25), noite de segunda no horário de Brasília, quando Lula e sua mulher Janja serão recebidos em cerimônia de boas vindas no Palácio Imperial. Eles têm encontro com o imperador Naruhito e a Imperatriz Masako e participam de um jantar no Palácio Imperial.

Esta é primeira vez desde a pandemia que o imperador recebe um chefe de Estado. Normalmente, ele concede a deferência apenas uma vez por ano a um líder estrangeiro. Isso é um forte sinal político para o Brasil, que viajou com pesos-pesado da política nacional para Tóquio e uma comitiva de quase 100 empresários. Eles participam de um fórum empresarial organizado pelo Itamaraty, com o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e sua equivalente japonesa na quarta-feira.

Na manhã desde mesmo dia, Lula tem reunião com sindicatos japoneses. De tarde, ele se encontra com o primeiro-ministro do Japão, Shigueru Ishiba, no Palácio Akasaka e, em seguida participa de cerimônia de assinatura de atos entre os dois países.

O presidente espera abrir pela primeira vez o mercado japonês para carnes bovinas brasileiras. Não por acaso tem representantes importantes do setor na comitiva. A ideia é a de que em um dos atos já tenha a sinalização de que isso acontecerá em breve. Hoje, os principais fornecedores de carnes para este mercado são os EUA e a Austrália.

Carne suína, aviões e biocombustível

O governo brasileiro quer vender carnes suínas in natura e ampliar a pauta de exportações do agro para o país. Mas não é só isso. O Brasil ainda quer vender aviões ao Japão e biocombustíveis. Tóquio planeja eliminar a venda de veículos a gasolina até meados de 2030 e se comprometeu a tornar-se carbono zero até 2050. Mas o país ainda depende em 90% de combustíveis fósseis. Entre os atos a serem assinados há um importante no setor de mobilidade urbana que tratará justamente deste segmento.

Há também ato que prevê um plano de ação para a parceria Brasil-Japão (2025-2030). Os  documentos seguem sendo negociados e devem contemplar ainda os setores de ciência e tecnologia, educação, pesca e recuperação de pastagens.

Este será o início de um périplo pela Ásia que o presidente pretende cumprir este ano. O governo aposta na diversificação da pauta e parceiros comerciais, o que é importante em meio à política confusa e carregada de incertezas promovida pelos EUA de Donald Trump.

Há também a questão estratégica. Lula quer deixar claro para a comunidade internacional que o Brasil não quer estar sob a esfera americana, mas tampouco sob a chinesa.

Do Japão, ele segue para o Vietnã. E, em datas ainda a serem divulgadas, deve ir à Malásia e à Indonésia no segundo semestre. É quase certo que também se encontre bilateralmente com o presidente da Índia, Narendra Modi, em data a ser confirmada, possivelmente no Brasil. As informações são do DCM.

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