Malafaia grita e cospe perdigotos. Sua voz ecoa em redes sociais como quem comanda um exército de demônios. Transformou o evangelho em slogan, a fé em arma, o culto em espetáculo de rancor.
Esqueceu de Cristo — aquele que não cita, que não convém. Cristo que perdoava, tocava leprosos, comia com pecadores. Esse Cristo atrapalha a retórica de guerra santa. Malafaia prega um deus de cercas, armas e códigos morais seletivos.
Fala de “família tradicional” para excluir, de “valores” para justificar o preconceito. Ergue sua voz contra pobres, mulheres, indígenas, LGBTQIA+, quilombolas, e ainda se diz perseguido. Seu parceiro é um golpista que promete a “ponta da praia” aos adversários.
Do outro lado, Francisco. O primeiro papa latino-americano. O homem de Buenos Aires que escolheu o nome do santo que abraçou leprosos e beijou a pobreza.
Enquanto um vocifera por audiência, o outro segue ensinando, mesmo em silêncio, diz o jornalista Kiko Noguerira em artigo intitulado “Eles têm Malafaia. Nós temos Francisco”.
Francisco era uma ilha de humanismo cercada de poder fascista por todos os lados. Nesse mundo de déspotas eleitos, o Papa era um líder progressista, mas um chefe de Estado sem voto.
Todos os extremistas de direita do mundo ocidental foram eleitos. Francisco era a mais potente voz do antifascismo contra figuras que prosperam sob as bases de uma democracia disfuncional.
Uma autoridade mundial não eleita lutava pelos diferentes e pelos perseguidos, avançando e recuando, testando o poder de dentro e de fora da Igreja. Num mundo sob o avanço da destruição de todas as formas de diferenças. Um mundo formalmente democrático.
Sempre com a voz mansa, acolhedora. E, mesmo com o corpo sob as pedras da Basílica de Santa Maria Maior, Francisco permanece: em suas cartas, em seus gestos, na memória dos que encontraram abrigo em suas palavras.
Enquanto Malafaia se alia ao poder armado e convoca jejuns pela destruição dos inimigos, Francisco ainda sussurra: “Esta Igreja não é um quartel. É um hospital de campanha.”, destaca o jornalista Moisés Mendes no artigo “Sucessor de Francisco também precisa ser odiado pelo fascismo”.
De acordo com o DCM, enquanto emissoras como Globo, SBT e Band interromperam suas grades para noticiar a morte do pontífice, a Record manteve a programação normal.
Segundo a Veja, a ordem para evitar uma cobertura ampla sobre o assunto teria partido do próprio bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, que também é proprietário da emissora.
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