Protestos gigantescos contra Trump tomaram as ruas dos EUA neste sábado

Protestos gigantescos contra Trump tomaram as ruas dos EUA neste sábado

 

Ativistas denunciam retrocesso nas liberdades civis e clima autoritário imposto pela Casa Branca

Neste sábado, 5 de abril, o povo americano respondeu aos desmandos do presidente Donald Trump protestos gigantescos que foram registrados nos 50 estados dos EUA.

A principal pauta das manifestações são os ataques contra os direitos e liberdades dos americanos. Segundo a CNN, foram registrados mais de 1.400 protestos, que tinham como mote “Tirem as mãos”, em referência aos ataques contra as liberdades civis.

À CNN, os organizadores revelaram ter três demandas: “O fim da aquisição bilionária e da corrupção desenfreada do governo Trump; o fim do corte dos fundos federais para Medicaid, Previdência Social e outros programas dos quais os trabalhadores dependem; e o fim dos ataques aos imigrantes, pessoas trans e outras comunidades.”

“Se você está mobilizado pelos ataques à nossa democracia, o corte de empregos, a invasão de privacidade ou o ataque aos nossos serviços — este momento é para você”, diz um dos cartazes.

Outro cartaz afirmava: “Estamos nos preparando para construir uma rejeição nacional, massiva e visível desta crise.”

O site das manifestações afirma que “Trump, Musk e seus amigos bilionários estão orquestrando um assalto ao nosso governo, nossa economia e nossos direitos básicos”.

Donald Trump voltou à Casa Branca com ares de imperador. Desde a posse em janeiro deste ano, deixou claro que não respeitaria qualquer limite institucional. Assumiu o segundo mandato com o objetivo de esmagar resistências, subjugar a imprensa livre, neutralizar adversários políticos e governar por decretos, como se estivesse acima da Constituição. Nesta semana, deu um passo ainda mais ousado em sua escalada autoritária ao deflagrar uma guerra comercial contra o mundo, que fez evaporar trilhões de dólares nos mercados globais e escancarou o grau de imprudência da sua política externa.

O “tarifaço” de Donald Trump, recentemente anunciado pelo presidente estadunidense, deve retirar, em média, US$ 3.800 da renda anual das famílias americanas, o que representa mais da metade do ganho mensal típico nos EUA. A medida já tem impacto direto no bolso da população, principalmente com a alta de 2,3% nos preços de produtos afetados, como roupas, que devem subir até 17% por causa das novas alíquotas sobre importações do Vietnã, Bangladesh e Tailândia.

A instabilidade criada por sua guerra comercial ameaça cadeias globais de suprimento, investimentos e empregos. A narrativa de que o isolacionismo trará prosperidade é desmentida pelos números e pela realidade.

Estudo do Budget Lab, da Universidade Yale, aponta que o PIB dos EUA pode encolher 0,5 ponto percentual só com as tarifas anunciadas no chamado “Dia da Libertação”. Considerando todos os aumentos desde a volta de Trump ao poder, a retração pode chegar a 0,9 ponto. A longo prazo, o prejuízo acumulado ao crescimento da economia deve ultrapassar US$ 180 bilhões só neste ano.

As tarifas de abril elevaram a média de taxação dos EUA em 11,5 pontos percentuais, chegando agora a 22,5%, o maior patamar desde 1909. Um relatório do Instituto de Finanças Internacionais destacou que as taxações atingem produtos estratégicos como semicondutores, cobre e medicamentos.

Além da queda no poder de compra, os americanos também perdem dinheiro com a desvalorização de ações nas bolsas, já que muitas famílias têm suas economias investidas nelas.

Associado a Elon Musk que usa suas plataformas digitais para disseminar desinformação e silenciar vozes críticas, Trump promove uma política de “choque e pavor”, tentando governar por meio do medo, da desorientação e da violência simbólica. Mas esse plano começa a falhar. As ruas deste sábado mostram que os americanos não aceitarão calados o desmonte de sua democracia. A sociedade civil, jornalistas, trabalhadores, jovens e movimentos sociais começam a construir uma frente ampla de resistência ao autoritarismo.

O capital também começa a se afastar. Wall Street, que parecia alinhada ao Partido Republicano, se mostra cada vez mais desconfortável com o caos econômico provocado por Trump.

Imagem- Reuters

 

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