O recado é claro: se não se afastar do bolsonarismo, o governador de São Paulo não terá apoio da elite brasileira para disputar as eleições de 2026
A bagunça que Jair Bolsonaro (PL), sua família e seus acólitos fazem no Brasil desde que assumiram o poder em 2019, agravando-se com o apoio às sanções comerciais de Trump acenderam a luz vermelha no setor mais rico da população. Em suma, este tipo de atitude não é confiável para representar a Direita mais nacionalista.
O principal porta-voz da Direita, o jornal O Estado de S. Paulo deu o recado através do editorial desta terça-feira, 22, acusando Tarcísio de Freitas (Republicanos), de ecoar o discurso da “delinquência bolsonarista” ao questionar a legitimidade do processo eleitoral brasileiro. A publicação condena a postura de Tarcísio, que tem defendido Jair Bolsonaro mesmo diante das acusações criminais.
Em recente manifestação, Tarcísio afirmou: “Não haverá paz social sem paz política, sem visão de longo prazo, sem eleições livres, justas e competitivas”. A insinuação, segundo o Estadão, é inequívoca: eleições sem Bolsonaro não seriam legítimas. Jair Bolsonaro está inelegível por decisão do TSE.
O jornal evidencia a contradição do governador paulista que se soma aos Ultra Direitistas quando questiona a lisura das eleições brasileiras lembrando que ele próprio foi eleito em 2022 em eleições que seguiram exatamente as mesmas regras. “Não há notícia de que o sr. Tarcísio tenha considerado injusta a eleição que ele mesmo venceu em 2022. Ou que tenha considerado injusta a eleição de seu padrinho, Jair Bolsonaro, em 2018, a despeito da exclusão de Lula da Silva do páreo”, pontua o editorial.
Para o Estadão, a postura de Tarcísio alimenta a narrativa de deslegitimação das instituições, o que é prejudicial ao país. “Se está realmente interessado na paz, o sr. Tarcísio, justamente pela responsabilidade institucional que tem, deve colaborar para dissipar as desconfianças lançadas por gente que não tem o menor compromisso com a democracia”, afirma o editorial.
A pressão coloca o governador de São Paulo numa saia justa. Só foi eleito graças ao apoio dos bolsonaristas e agora é pressionado a abandoná-lo se quiser permanecer na política. A bem da verdade, a mesma Direita que à época apoiava Jair Bolsonaro agora exige que Tarcísio se descole do bolsonarismo. Fizeram uma aposta errada em 2018 e entenderam isso a tempo de corrigir em 2026. Mas Tarcísio ou não entendeu a necessidade de correção de rumo ou se apega ao erro por necessidade de sobrevivência, como muitos dos que ainda cercam os Bolsonaro. Uma aposta de alto risco que tende a provocar o efeito contrário como mostra a reação da Direita.
O bolsonarismo exagerou na dose e o porta-voz da Direita cobra que a carreira política de Tarcísio apesar de ter sido impulsionada pelo ex-presidente não poderia justificar a conivência com atos e discursos golpistas. “Seja movido por fidelidade genuína ou cálculo eleitoral, é deplorável que o governador de São Paulo prefira ignorar a gravidade dos fatos, relativizando, na prática, os crimes de que Bolsonaro é acusado e a independência do Supremo Tribunal Federal (STF) para julgá-lo”, sentencia o texto.
O editorial conclui afirmando que Tarcísio vinha mantendo uma posição ambígua, tentando parecer distante dos excessos bolsonaristas sem romper com a base radical, mas essa estratégia chegou ao limite após os ataques do clã Bolsonaro ao Brasil com pedidos de intervenção dos Estados Unidos, presidido em segundo mandato por Donald Trump.
Segundo o jornal, o que está em jogo é muito mais do que o destino político de Jair Bolsonaro: é a defesa da sanidade da democracia brasileira.
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