Motim na Câmara: dois deputados bolsonaristas estavam armados dentro do plenário

Motim na Câmara: dois deputados bolsonaristas estavam armados dentro do plenário

Como milicianos, parlamentares extremistas não só partiram fisicamente para intimidação contra presidente da Casa, mas infringiram norma de 1963 que veta expressamente armas no Congresso

O motim vergonhoso e criminoso empreendido por parlamentares bolsonaristas esta semana no Congresso Nacional, que tentaram à força impedir a retomada dos trabalhos legislativos para que a famigerada pauta da anistia aos extremistas do 8 de janeiro fosse colocada em votação, foi muito além das imagens lamentáveis que circularam Brasil afora.

No caso da Câmara, em que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), foi impedido de chegar à mesa diretora e de se sentar em sua cadeira, as ameaças não se restringiram à perna atravessada de Zé Trovão (PL-SC) obstruindo a passagem, aos gritos histéricos e violentos de Marcelo Van Hattem (Novo-RS) e de Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) ou à deprimente cena de Júlia Zanatta (PL-SC) usando a filha de meses como escudo humano: havia pelo menos dois parlamentares com armas de fogo na cintura.

A Revista Fórum apurou que ao menos dois desses deputados estavam portando pistolas automáticas na cintura, ocultadas pelo paletó. Nas inúmeras imagens do quiproquó não é possível explicitar tal fato, mas interlocutores confirmaram que tal informação era de conhecimento da maioria dos parlamentares bolsonaristas que participavam do vexame iniciado após a decretação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Esses dois deputados federais são egressos da área de segurança pública. A ilegalidade flagrante e escandalosa está em manter as armas consigo dentro do Congresso Nacional, algo que é expressamente proibido desde 5 de dezembro 1963, quando, no dia anterior, o então senador Arnon de Mello (PDC-AL), pai de Fernando Collor de Mello, matou com um tiro “por engano” o também senador José Kairala (PSD-AC), ao tentar atingir seu adversário alagoano Silvestre Péricles de Góis Monteiro (PST-AL).

 

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