Comitiva financiada com fundo partidário participará de conferência ambiental na Suécia, após festa de aniversário de Antonio Rueda em Mykonos
O União Brasil, terceira maior legenda em volume de recursos públicos recebidos no país, está no centro de uma nova controvérsia após decidir custear a viagem de seus políticos a uma conferência ambiental na Europa. A maioria dos políticos do União é negacionista climático. O evento, programado para ocorrer entre os dias 5 e 8 de agosto em Estocolmo, capital da Suécia, acontece imediatamente após a festa de aniversário de 50 anos do presidente da sigla, Antonio Rueda, na luxuosa ilha grega de Mykonos.
A Folha de S.Paulo revelou que a celebração de Rueda terá duração de quatro dias, com programação voltada ao lazer, incluindo “drinks ao pôr do sol”, jantares e atividades descritas como forma de “viver Mykonos intensamente”. A comemoração termina no dia 4 de agosto, véspera do início da conferência TheAmazon.life, que, segundo o próprio partido, será parcialmente financiada com recursos do fundo partidário.
Embora o União Brasil negue qualquer relação entre a festa em Mykonos e a conferência na Suécia, o fato de os dois eventos estarem geograficamente próximos e em datas sequenciais gerou questionamentos. A legenda confirmou que pagará passagens e hospedagens de nove dos 13 integrantes da delegação enviada à conferência, mas não divulgou os nomes nem os valores envolvidos.
Secretário de Representação do Governo do Acre em Brasília, Fábio Rueda, estará presente
A maioria dos participantes confirmados é composta por dirigentes e políticos do próprio União Brasil, incluindo os irmãos de Rueda — Maria Emília “Mila” de Rueda e Fábio Rueda, secretário de Representação do governo do Acre em Brasília.
Agenda luxuosa e sem transparência
A conferência ambiental será realizada no Grand Hôtel Stockholm, onde as diárias ultrapassam R$ 4 mil. A programação inclui visitas a instituições públicas e privadas suecas, além de painéis sobre sustentabilidade e desenvolvimento da Amazônia. Entre os temas propostos estão “o potencial da conexão entre Suécia e o Brasil para o desenvolvimento sustentável da região amazônica” e “soluções para conectar políticos, pesquisadores e empresários”.
Apesar de promover ingressos que variam entre 497 e 1.000 euros (R$ 3.166 a R$ 6.370), o site do evento apresentava falhas nas formas de pagamento. A reportagem da Folha tentou adquirir entradas, mas Pix, boleto e cartão de crédito estavam indisponíveis. Não houve resposta sobre o número de ingressos vendidos ou o responsável legal pela organização.
A agência sueca de inovação Vinnova, listada entre os locais a serem visitados, confirmou que apenas recebeu um pedido de visita da comitiva brasileira, mas não participa da organização ou custeio da conferência.
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