Líder de um grupo neonazista com mais de 1800 inscritos no Telegram, Vicky Vanilla quer criar um partido neonazista no Brasil e perseguir esquerdistas
Vanilla também vem sendo denunciado no Ministério Público por diversos ativistas dos direitos humanos. Por conta disso, teve suas contas derrubadas no instagram e em outras redes sociais. Um dos denunciantes é Junior Freitas, militante político que, além da denúncia no MP, registrou boletim de ocorrência na polícia civil.
Mas ele continua operando normalmente no Instagram através de um novo perfil denominado @dbasedvicky. Nessa nova conta, tem disseminado cada vez mais conteúdo de ódio e também rebateu a matéria do DCM.
Ele publicou uma foto da matéria intitulada “Exclusivo: Pastor ex-satanista quer criar Partido Neonazista no Brasil e ameaça caçar esquerdistas” e cobriu o texto com a seguinte retificação: “Quer não, nós vamos (fundar o partido nazista). Estamos formalizando um corpo de advogados para isso, inclusive.”
O pastor também respondeu a uma pergunta anônima que o indagava na rede social se o partido nazista seria permitido no Brasil. Vanilla responde: “Com certeza. Não tem como não, é liberdade de expressão. É um partido como qualquer outro. Como é nos países desenvolvidos, EUA e países bálticos.”
Além das postagens nazistas, Vanilla tem divulgado propaganda da extrema-direita brasileira como, por exemplo, um vídeo do deputado Zé Trovão. O parlamentar convoca um ato golpista para o dia 16 de março, com a premissa de criar uma atmosfera em torno do impeachment do presidente Lula.
Dentre as publicações recentes, Vanilla responde a outras perguntas de seus seguidores. Em uma dessas interações, um sujeito não identificado se apresenta como pardo e pergunta se isso seria impeditivo para ser aceito no “Círculo dos Iluminados” — grupo neonazista liderado por Vanilla.
“A partir do momento que você entra no círculo honorário, você é reconhecido por nós como um ariano honorário, sendo ariano genético ou não. Essa parte do racialismo espiritual foi incorporada durante a Segunda Guerra, e o próprio Eixo certificou vários cidadãos de diversas etnias e raças como arianos honorários”, respondeu o influenciador.
Além de prometer incorporar pardos e negros, Vanilla reforça seu argumento sobre a diversidade étnica na causa nazista ao alegar que Hitler e Goebbels também não eram “puros de raça”. “Existe muita mentira propagada pela esquerda burra e pela mídia. O fenótipo do ariano nórdico é mentira, uma vez que o próprio führer tinha cabelos escuros, assim como Goebbels, que tinha fenótipo mediterrâneo”, argumenta Vanilla. “Obviamente, nossa meta para o futuro do mundo e das raças, nosso olhar de evolução, vai sempre mirar o ariano nórdico, o loiro de olhos claros”.
Implicando com o termo “nazipardo”, Vanilla insiste que essa definição é construída para prejudicar os grupos da causa nazista: “Querem afastar vocês da verdade. A esquerda ganha com pornografia, drogas, malandragem e corrupção, e vai corromper os ensinamentos sagrados, exotéricos e espirituais que o próprio Cristo também falava. Quem te chama assim quer te afastar da verdade.”
Em outra postagem, Vanilla usa argumentos racistas típicos do determinismo social, teoria do século XIX, para defender a ideia de que os negros são mais violentos: “Bairros negros dos EUA são mais violentos, esses dados são comprovados, a razão vem de parte cultural e de outras características da raça”, começa Vanilla. “Alguns atributos negativos da raça negra, biologicamente comprovados, são: o tamanho dos lóbulos frontais e a estrutura subdesenvolvida do córtex pré-frontal, que geram uma estrutura anatômica que dificulta o processo de cognição dos negros, que são, portanto, mais impulsivos e emocionais, e, por isso, mais agressivos.” Segundo ele, “os negros têm de 2,4 a 3 vezes mais chances de desenvolver esquizofrenia.”
Para justificar sua visão e buscar um consenso em termos de acolhimento aos negros e pardos para sua causa, Vanilla conta que seu melhor amigo é negro e compartilha de suas ideias: “Pasmem, meu grande amigo é negro subsaariano, cuida dos meus investimentos, invisto com ele, ele faz parte de vários engajamentos que tenho, sabe de toda minha opinião e ele admite que transcendeu espiritualmente as características negativas da raça negra.”
Na sequência, o nazista argumenta que muitos brancos não “transcenderam espiritualmente para a causa ariana” e justifica: “Tem brancos que são drogados, infiéis, esquerdistas, comunistas, que são vermes e lixos”, protesta Vanilla, alegando que as pessoas não sabem disso porque não estudam história e preferem se informar pela “mídia judaica” e por Hollywood.
Vanilla ainda explicou por que não vai mais a podcasts e se comparou a Jesus Cristo: “Nem fodendo voltaria a ser famoso nas redes. Estou muito Jesus Cristo agora, quero andar com 12 no máximo. Tive muita depressão por ter que interpretar papéis. Uma hora eu era o travesti, o satanista, o judeu. Me sacrifiquei muito. Tenho uma base muito grande fora das redes. O übermensch (super-homem), por vezes, tem que se prestar a esses papéis”, disse ele, alegando que suas múltiplas personalidades eram apenas personagens para se infiltrar em movimentos religiosos, políticos e sociais a fim de obter informações.
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