Controlador da instituição detido em São Paulo estaria por trás do Congresso para derrubar medidas de Haddad. Ele foi preso um dia após venda bilionária
A Polícia Federal prendeu na manhã desta terça-feira (18) Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em sua residência no Jardim Europa, área nobre de São Paulo. A detenção ocorre em meio à intensa instabilidade que envolve a instituição financeira e amplia a pressão sobre seu futuro.
O dono do Banco Master, no âmbito da Operação Compliance Zero. A ação, deflagrada após irregularidades apontadas pelo Banco Central, cumpre sete mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão em cinco estados. Augusto Lima, seu sócio, também foi preso nesta terça. Eles são suspeitos de cometer irregularidades na venda frustrada do Banco Master ao BRB.
Segundo a PF, o objetivo é “combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras que integram o Sistema Financeiro Nacional”. A investigação é sobre possíveis crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária, formação de organização criminosa e outras infrações.
A ação acontece menos de 24 horas após a controversa tentativa de venda do Banco Master ao grupo Fictor, desconhecido no mercado e alvo imediato de descrédito entre agentes da Faria Lima.
A negociação anunciada na véspera foi recebida com forte ceticismo por investidores e analistas, que viram na operação uma manobra para ganhar tempo diante da delicada situação regulatória do banco. A avaliação predominante no mercado era de que a proposta entregava ao Banco Central a tarefa de analisar uma transação improvável envolvendo uma instituição já sobrecarregada por problemas internos.
Nos bastidores, Vorcaro vinha afirmando a interlocutores que a condição do Master junto ao Banco Central melhoraria após 31 de dezembro, quando se encerra o mandato do diretor Renato Gomes, apontado por ele como o principal crítico da instituição dentro da autarquia.
A ação da PF, porém, interrompeu abruptamente qualquer expectativa de mudança no cenário.
As investigações começaram em 2024, depois de uma requisição do Ministério Público Federal para averiguar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes, vendidas a outro banco e posteriormente substituídas por ativos sem avaliação técnica adequada.
Venda do Banco Master
A ação ocorre menos de 24 horas após a surpreendente e contestada operação de venda do Banco Master ao grupo Fictor Holding Financeira. A proposta, anunciada publicamente antes de passar pelo Banco Central, gerou descrédito imediato na Faria Lima.
Segundo interlocutores do mercado, Vorcaro buscava ganhar tempo ao transferir ao BC a análise de uma venda complexa envolvendo um banco em crise, o que poderia retardar decisões sobre intervenção. O banqueiro teria dito a aliados que a situação do Master melhoraria após 31 de dezembro, quando termina o mandato do diretor do BC Renato Gomes, visto por ele como o maior crítico da instituição. A operação policial, porém, avançou antes.
A Fictor, pouco conhecida no setor, anunciou que pretende comprar o Master com apoio de investidores dos Emirados Árabes Unidos, que somariam mais de US$ 100 bilhões em ativos. O plano inclui aporte de R$ 3 bilhões para reforçar o capital do banco.
Mas, segundo a Folha de S.Paulo, a proposta não foi protocolada no BC antes do anúncio, o que contraria práticas do sistema financeiro. Se aprovada, a holding assumiria 100% das ações e renomearia a instituição para Banco Fictor. O acordo não inclui o Will Bank nem o Banco Master de Investimentos.
O Master enfrenta dificuldades há meses. Em março, acumulava cerca de R$ 60 bilhões em depósitos a pagar. Sem solução imediata, o BC poderia decretar intervenção ou liquidação caso o banco não honrasse seus CDBs.
Após rejeitar a tentativa de compra pelo BRB, o BC deixou claro o risco de sucessão, o que ampliou a incerteza sobre a continuidade da instituição.
Vorcaro já vendeu ativos pessoais, fechou negócios com BTG e buscou apoio do Fundo Garantidor de Créditos, que concedeu mais de R$ 4 bilhões para cobrir resgates.
A auditoria do BC aponta que o Master apostou em ativos de pouca liquidez, como precatórios, enquanto oferecia elevados rendimentos em CDBs garantidos pelo FGC. O banco vinha se desfazendo de precatórios, imóveis e participações para tentar equilibrar as contas.
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