Ontem (17/12), o EUA iniciou um processo de envio de tropas militares para o Equador. As tropas se estabeleceram na base militar de Manta. O envio contraria a decisão do povo equatoriano, que há um mês votou “não” à possibilidade de reabertura do território para tropas militares estrangeiras, em um referendo que ocorreu no dia 16 de novembro. Segundo A Nova Democracia, duas semanas antes do referendo, a secretária de segurança nacional ianque, Kristi Noem, visitou a base militar de Manta.
Para burlar a opinião pública equatoriana de alguma maneira, a operação é descrita como uma parceria “temporária”, mesmo que nenhum tempo limite tenha sido estipulado oficialmente. Condizendo com a estratégia geral de intervenção estadunidense para a América Latina, o presidente reacionário do Equador, Daniel Noboa, anunciou na “rede social” X que “esta operação permitirá identificar e desarticular as rotas do narcotráfico, e subjugar aqueles que acreditavam que poderiam tomar o país”. Os Estados Unidos manteve bases militares na região até 2009. No ano anterior, com uma nova constituição, a presença militar externa havia sido juridicamente banida.
A constituição equatoriana de 2008 segue vigente, e a presença militar estrangeira no território ainda é proibida. Após o resultado do referendo, Daniel Noboa, nascido em Miami, voltou para o EUA, para restabelecer o trâmite que culminaria no presente envio de tropas ianques ao país latino americano. Noboa é filho do bilionário Álvaro Noboa, dono do “Grupo Noboa” e por décadas o homem mais rico do Equador. O conglomerado Noboa controla uma das maiores operações de exportação de frutas do mundo, ligado ao latifúndio e a logística portuária do Equador. A ida ao EUA, sua terra natal, se deu em meio às negociações decorrentes da chantagem trumpista aplicada com o “tarifaço”.
“Nova Cartilha”dos EUA aprofunda intervenção em todo o continente
A operação para o Equador segue a cartilha de combate ao “narcoterrorismo”, termo empregado para dar contorno às recentes intervenções militares promovidas pelos ianques no território do cone sul, sem precedentes no século XXI. Sob a mesma batuta, o EUA firmou um acordo de “cooperação militar” com o Paraguai na última segunda-feira (15/12), permitindo a presença de tropas estadunidenses e atividades militares no país. Segundo informações oficiais, o pacto autoriza o envio de militares, o uso de instalações paraguaias, intercâmbio de inteligência e realização de operações conjuntas. Autoridades paraguaias afirmam que a medida visa “fortalecer o controle de fronteiras”, especialmente na região da Tríplice Fronteira, sob o pressuposto de enfrentar organizações que atuariam no país, a exemplo do Primeiro Comando da Capital (PCC), de origem brasileira, com presença em presídios no Paraguai.
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