Presidente da Bolívia retira subsídio da gasolina e revolta população

Presidente da Bolívia retira subsídio da gasolina e revolta população

Na quarta-feira passada (17/12), o presidente direitista Rodrigo Paz da Bolívia, emitiu decreto desfazendo os subsídios aos preços dos combustíveis, que vigoravam no país pelos últimos 20 anos. O preço médio da gasolina no mundo é de 1,28 dólares por litro. Na Bolívia, antes do decreto, o preço ficava em torno de 53 centavos de dólar. Depois do decreto, do dia para noite, o preço saltou para 1 dólar, representando um aumento de 83%. Já para o diesel, o preço subiu 162%, chegando a 1,58 dólares. Em resposta, o povo iniciou uma revolta e segue em crescentes mobilizações pelo fim imediato do decreto.

A maior central sindical da Bolívia, a Central Obrera Boliviana (COB), iniciou ontem (22/12) uma imensa greve no país. Trabalhadores de diversos setores pararam suas atividades indefinidamente. Em entrevista, Mario Argollo, secretário executivo da COB, denunciou o governo e suas promessas eleitoreiras: “este governo tirano e traidor, que outrora mobilizou camadas das massas populares para ser eleito, hoje descarrega ira e traição, arruinando o natal e o ano novo do povo boliviano”.

Os mineiros são o setor das massas que mais aderiu à paralisação. Apesar da influência direta no valor da gasolina, trabalhadores de transporte ainda não se mobilizaram em greve. A central sindical vem tentando se aproximar em diálogo com essa camada, mas ainda sem efeito. Em La Paz, a passagem do transporte custava 2,40 bolivianos (moeda boliviana) até o dia 17/12, quando no dia 18 a passagem passou a custar 5 bolivianos.

O governo reacionário da Bolívia anunciou que, como medida de contenção ao drástico aumento dos combustíveis, aumentará também o valor do salário mínimo. No entanto, o aumento do salário mínimo anunciado é de apenas 20%, menos de 1/4 do aumento do preço da gasolina, e menos de  1/8 do aumento do óleo diesel. O secretário executivo da COB, em resposta ao aumento irrisório do salário mínimo, respondeu contundente: “Irrisório e irresponsável!” e segue: “O aumento irá gerar um efeito multiplicador de mais 200% de aumento nas passagens! Imagine o efeito do aumento em todos os setores do mercado! Não compensa de maneira alguma!”.

As centrais sindicais ressaltam que não se trata apenas do aumento dos preços dos combustíveis, ou mesmo do efeito em cascata que ele irá gerar, mas alerta também para o fato de outras medidas as quais o governo já pretende implementar nos próximos meses. Junto ao decreto em si, o líder sindical pontua que são mais de 100 artigos que visam a privatização das empresas estatais bolivianas, “são mais medidas de fome, luto e dor para o povo boliviano!”. Ainda no mesmo pronunciamento: “Graças a Rodrigo Paz, a partir de hoje, o povo vai deixar de comer. Lastimosamente, para essa ilusão natalina que tínhamos, graças a esse covarde, traidor governante, o povo não tem mais esperança”.

Rodrigo Paz foi eleito presidente da Bolívia em no último 19 de outubro, e iniciou seu mandato logo em 8 de novembro. O decreto tirano se deu em menos de 2 meses de governo, ditando o tom que há de se seguir pelos próximos 5 anos de mandato. Segundo a central sindical, que acusa de “sanguinário e assassino” o presidente, haverão mortes do povo boliviano em decorrência ao “gasolinazo”, já contando dois mortos em uma mobilização na cidade de Cochabamba. Em cidades como La Paz, El Alto e Cochabamba, houveram marchas, bloqueios de estradas e paralisação de serviços, que só tendem a aumentar.

América Latina em levantamentos populares

Os levantamentos populares têm crescido em toda a América Latina dentro dos últimos períodos. No Peru, nos dias 20 e 21 de setembro, eclodiram fortes protestos em Lima, nos quais milhares de manifestantes mostraram sua rejeição ao governo de Dina Boluarte. De acordo com pesquisas recentes, “79% dos peruanos afirmam sentir vergonha do governo e 85% do Congresso”. Outras pesquisas indicam que apenas 2 em cada 100 peruanos aprovam a gestão de Dina Boluarte, e 0 em cada 100 no norte do país.

No Equador, camponeses, estudantes, indígenas e operários protestam há vários dias contra o governo do presidente Daniel Noboa. O presidente governa com mãos de chumbo, já tendo feito duas intervenções militares no país com histórico de torturas, assassinatos e invasões de casas do povo. Ele também foi acusado de financiar o tráfico de cocaína e de vender o país para potências estrangeiras. Noboa também usou a polícia para reprimir os protestos, prendendo e ferindo centenas de pessoas e chegando a acusar os manifestantes de “terrorismo”.
Na Argentina, o governo do extremista de direita Javier Milei também está em maus lençóis. O governo diz que a economia melhorou, mas ao menos 31,6% do povo está na pobreza. Em reportagem da Reuters, o professor Christian Bialogurski relatou que frequentemente passa fome, pois o salário só dá para pagar o aluguel e o transporte para o trabalho. Os salários do setor público caíram mais de 15% em termos reais no ano seguinte à posse de Milei, em dezembro de 2023, segundo um relatório da consultoria local CTA. Ao mesmo tempo, o desemprego terminou o ano passado em 6,4% e vários trabalhadores têm ido para o mercado informal, onde a média de rendimento é 41% a menos que os trabalhadores formais do mesmo setor. As informações são de A Nova Democracia

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