Apoiado pelo ex-presidente como pré-candidato ao governo do Rio em 26, prisão de Bacellar também coloca o risco de cassação do governador; entenda
Bacellar não era um deputado qualquer: mantinha vínculos diretos com os filhos de Jair Bolsonaro, circulava nos bastidores como peça útil para 2026 e havia sido oficialmente escolhido pelo ex-presidente como seu candidato ao governo do Rio.
A prisão de Bacellar nesta quarta-feira (3) desmonta, de imediato, a composição do grupo político sobre o qual, segundo a decisão do ministro Alexandre de Moraes, possuia atuação direta de Bacellar na proteção de uma organização criminosa, com capacidade de interferir no andamento das investigações e no enfrentamento ao crime organizado no estado. As acusações contra Bacellar, porém, não param por aí.
Ao lado de Castro, Bacellar também respondia por suspeita de uso do Ceperj em um esquema de compra de votos em 2022. A absolvição apertada no TRE-RJ — conquistada por um único voto, apesar de o tribunal reconhecer as irregularidades — nunca trouxe estabilidade.
No entanto, o processo segue vivo no TSE, e a prisão desta quarta-feira, segundo analistas, joga gasolina sobre um caso que já ameaçava o mandato do governador, que corre risco de ser o sétimo governador do estado a perder o mandato por problemas com a justiça.
Ruptura, disputa pela sucessão e reaproximação por sobrevivência
A relação entre os dois estava longe de ser um morango. A primeira rusga veio quando Bacellar, no exercício interino do governo, exonerou o secretário Washington Reis sem consultar Castro, provocando uma disputa direta pela sucessão.
Em seguida, Bacellar ameaçou criar uma CPI para investigar propinas na compra de quentinhas para o sistema prisional. A reaproximação ocorreu mais tarde, movida pelo medo compartilhado de cassação e pela articulação de uma eventual saída para o Tribunal de Contas do Estado — um abrigo para ambos caso o TSE batesse à porta.
Mas o desgaste político entre os dois ganhou outra proporção quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Unha e Carne.
Segundo as investigações, Bacellar vazou informações sigilosas da Operação Zargun para TH Joias, ex-deputado que usava o mandato para operar interesses do Comando Vermelho. Na véspera da ação, Bacellar telefonou para Joias, avisou sobre os mandados e o orientou a destruir provas. O ourives, então, organizou uma mudança às pressas, com direito a caminhão-baú. Com esse episódio, o presidente da Alerj cruzou uma fronteira que já não poderia ser contornada politicamente.
A prisão desmorona o bolsonarismo, mas fortalece o PL
A implosão desse eixo político é relativamente grave para o bolsonarismo. Em maio, Bolsonaro anunciou Bacellar como seu nome para disputar o governo do Rio em 2026. A Jovem Pan registrou o acordo com entusiasmo: Bolsonaro indicaria o vice e o PL herdaria as duas vagas ao Senado. Era uma tentativa de reconstruir uma estrutura de poder no estado, esvaziada pela condenação criminal do ex-presidente.
Mas se o bolsonarismo perde seu principal quadro no Rio, o PL, ironicamente, se fortalece. A mesma decisão de Alexandre de Moraes que decretou a prisão preventiva de Bacellar também determinou seu afastamento da presidência da Alerj.
Com isso, assume o comando da Casa o vice-presidente Guilherme Delaroli, filiado ao PL e ligado a Altineu Côrtes, presidente estadual do partido. Delaroli, policial militar da reserva e parte de uma família tradicional do PL fluminense, herda um posto estratégico e devolve ao partido o controle institucional da Assembleia.
A médio e longo prazos, a perda de influência de Bacellar também interessa ao PL. O deputado vinha entrando em rota de colisão com Castro, pressionando o governador e até ameaçando abrir um processo de impeachment após o episódio da demissão de Washington Reis. Agora, sem o poder político acumulado e sem a presidência da Alerj, Bacellar deixa de ser um tronco capaz de limitar os movimentos internos do partido que, atualmente, bate cabeça para fechar o palanques de 26. Com informações da Fórum
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