Bittar caminha 200km por Bolsonaro, em vez de andar pelos bairros da capital para ver onde foi parar o Asfalta Rio Branco

Bittar caminha 200km por Bolsonaro, em vez de andar pelos bairros da capital para ver onde foi parar o Asfalta Rio Branco

Senador prefere atos ideológicos fora do Acre e fecha os olhos para ruas destruídas, obras mal feitas e crise de água na capital 

O senador pelo Acre, Márcio Bittar (PL), anunciou participação na chamada “caminhada pela liberdade”, mobilização organizada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso, com trajeto entre Minas Gerais e Brasília. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Bittar fala em liberdade e perseguição política, mas omite deliberadamente a realidade de abandono vivida pela capital acreana, governada por seu principal aliado político, o prefeito Tião Bocalom.

Enquanto se dispõe a percorrer cerca de 200 quilômetros em defesa de pautas ideológicas, o senador se recusa a fazer uma caminhada bem mais curta e urgente: pelos bairros de Rio Branco, hoje marcados por ruas esburacadas, obras mal executadas do programa “Asfalta Rio Branco” e constantes falhas no abastecimento de água. A insatisfação popular cresce e se espalha pelas redes sociais, onde moradores denunciam a precariedade dos serviços básicos e a falta de respostas da prefeitura.

Mesmo diante do desgaste evidente da gestão municipal, Márcio Bittar segue como um dos principais escudos políticos de Bocalom, tratando o prefeito como projeto eleitoral e já o defendendo publicamente como candidato ao Governo do Acre. A postura do senador ignora problemas elementares ainda não resolvidos na capital e revela uma estratégia política que prioriza alianças e discursos ideológicos em detrimento das necessidades reais da população.

Para moradores e lideranças comunitárias, a contradição é clara: se Bocalom não consegue administrar de forma eficiente Rio Branco, como pode ser apresentado como alternativa para governar todo o estado? Ainda assim, Bittar evita cobrar resultados, fiscalizar a gestão ou exigir soluções concretas. Prefere atuar como cabo eleitoral do aliado, abrindo mão do papel institucional que o mandato de senador exige.

Ao classificar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro como “presos políticos”, Bittar reforça seu alinhamento irrestrito ao bolsonarismo e se distancia ainda mais das demandas cotidianas dos acreanos. Para muitos, a verdadeira “caminhada pela liberdade” deveria acontecer nas ruas esburacadas de Rio Branco, ouvindo quem convive diariamente com lama, poeira, obras inacabadas e torneiras secas, problemas que não se resolvem com vídeos, discursos inflamados ou atos simbólicos longe do Acre.

Por Alemão Monteiro

Publicado originalmente no site 3 de julho

Veja também

A hora do doido: Irã contratou psicólogos e psiquiatras para saber como lidar com Trump

A hora do doido: Irã contratou psicólogos e psiquiatras para saber como lidar com Trump

O governo do Irã contratou psicólogos e psiquiatras experientes para avaliar a condição mental do …