Xeque: Lula condiciona participação do Brasil no Conselho da Paz à inclusão formal do Estado palestino

Xeque: Lula condiciona participação do Brasil no Conselho da Paz à inclusão formal do Estado palestino

Lula que estava numa posição difícil após o convite de Trump para integrar o “Conselho de Paz”, sem poder aderir e sem querer desfazer, encontrou uma saída esperta para o caso

O presidente Lula telefonou para seu homólogo americano, Donald Trump, e pediu que o chamado “Conselho da Paz” proposto pelo governo dos Estados Unidos se limite à resolução da guerra na Faixa de Gaza. A conversa ocorreu após o lançamento da iniciativa durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

Durante o diálogo, Lula também defendeu que o conselho “preveja assento para a Palestina”. O Brasil foi convidado a integrar o grupo, mas ainda não respondeu formalmente. Para o Palácio do Planalto, a ausência do Estado palestino, ao lado da presença de Israel, é um dos principais problemas da proposta.

O formato e o funcionamento do conselho ainda não estão definidos. A iniciativa foi anunciada pelos Estados Unidos em um evento esvaziado em Davos, sem a participação do Brasil. Até o momento, não há detalhes claros sobre atribuições, composição ou poder decisório do novo organismo.

Um dos pontos centrais da crítica de Lula é que a proposta de Trump restringe ainda mais o debate global sobre segurança internacional. O presidente brasileiro tem defendido uma reforma mais ampla da Organização das Nações Unidas (ONU), com ampliação do número de países com assento permanente no Conselho de Segurança.

Atualmente, cinco países possuem poder de veto no Conselho de Segurança da ONU. A proposta americana reduziria esse poder a apenas um país, os Estados Unidos, o que vai na contramão da posição histórica defendida pelo Brasil.

Lula e Trump conversaram por cerca de 50 minutos. Segundo nota divulgada pelo Planalto, o presidente brasileiro aproveitou o contato para reiterar posições já conhecidas da diplomacia nacional no cenário internacional.

“Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança”, informou o governo brasileiro no comunicado oficial.

Segundo o Planalto, os dois ainda “trocaram impressões sobre a situação da Venezuela” e combinaram um encontro presencial durante uma visita a Washington. A viagem do petista deve ocorrer após sua volta de agenda na Índia e na Coreia do Sul, em fevereiro.

Conselho da Paz

O “Conselho da Paz” (Board of Peace, em inglês). O órgão que teria a função de supervisionar a Faixa de Gaza durante um governo de transição. O Conselho será chefiado vitaliciamente por Donald Trump mesmo após o fim de seu mandato presidencial.

O Conselho de Paz, oficialmente teria o intuito de supervisionar o trabalho do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, sendo um governo de transição para reconstruir a região destruída por bombardeios nos últimos anos.

Entretanto, é um projeto imobiliário e de poder para beneficiar Donald Trump e seus aliados ligados ao setor imobiliário.

Empresas dos EUA já estão disputando concessões para reconstruir Gaza. Mesmo sem autorização necessária para a emissão de contratos, a empresa Gotham’s LLC é cotada para atuar no enclave palestino. A companhia esteve envolvida no Centro de Detenção Alligator Alcatraz, local conhecido por abrigar imigrantes detidos em condições desumanas e localizada em um pântano que abriga 200 mil jacarés além de crocodilos e cobras.

O objetivo financeiro do projeto é transformar a Faixa de Gaza num local de recreação para bilionários do mundo, de acordo com Jared Kushner –genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e conselheiro para o Oriente Médio que afirmou que a intenção é construir cidades modernas com 180 arranha-céus, num litoral que atrai turistas e um porto de última geração que avance pelo Mediterrâneo.

Países que desejarem se tornar membros permanentes (ou seja, para além dos três anos iniciais) deverão pagar US$ 1 bilhão (mais de R$ 5 bilhões), para pagar a construção da nova Gaza.

O estatuto  do Conselho da Paz mostra que não pretende atuar não apenas na reconstrução de Gaza, mas também na mediação de outros conflitos armados ao redor do mundo. O estatuto define o órgão como “um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz”.

 

 

 

 

 

 

 

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