Abin deve atuar no combate ao crime organizado nas eleições

Abin deve atuar no combate ao crime organizado nas eleições

Agência de inteligência já coopera com PF e Justiça Eleitoral para coibir infiltração de facções; servidores dizem que modelo pode ser ampliado

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) poderá ter papel mais ativo no combate à influência do crime organizado durante as eleições de deste ano. Segundo servidores ouvidos pela reportagem, a cooperação atual entre a agência, a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral — voltada a impedir a infiltração de facções criminosas na política — está sendo tratada internamente como um projeto-piloto que pode se tornar nacional.

“A Abin não atua em campo nem produz prova. O que fazemos é reunir informações e transformá-las em produtos estratégicos que orientam as políticas públicas”, explicou um servidor. O objetivo é mapear riscos, fluxos de financiamento e conexões entre grupos criminosos e estruturas políticas, atuando de forma preventiva. “A polícia olha o alvo e o momento da operação. A Abin olha o todo, os fluxos, as conexões e as tendências.”

Parte significativa das análises é feita de forma proativa, dentro de uma agenda permanente de temas, como criminalidade organizada, extremismo violento e contraespionagem, mas a agência também produz relatórios sob demanda. “Nosso papel é antecipar riscos, não reagir a eles”, resumiu o servidor.

Esse papel analítico também se manifesta em ações conjuntas com outros órgãos de Estado, como a Polícia Federal e a Justiça Eleitoral. De acordo com informações obtidas pela reportagem, a Abin participa de um esforço coordenado para impedir a infiltração de facções criminosas na política e nas eleições no Piauí. A atuação conjunta com a PF tem caráter preventivo e busca identificar padrões de infiltração e movimentações financeiras suspeitas antes que se transformem em risco real ao processo democrático.

Segundo servidores da Abin consultados pelo ICL Notícias, essa cooperação com outros órgãos de Estado segue o mesmo princípio do trabalho estratégico: antecipar e neutralizar riscos. O projeto vem sendo visto internamente como uma experiência de integração que pode servir de base para futuras ações nacionais. Atualmente, parte considerável dos esforços da agência está voltada à preparação para a COP30, em Belém, onde coordena ações de inteligência com foco na segurança do evento e no combate a ameaças transnacionais e que a ampliação do trabalho de monitoramento das facções nas eleições deve ser avaliado apenas no ano que vem.

O acompanhamento das atividades de crime transnacional e organizado está sob o Departamento de Inteligência Interna (DInt), comandado por Esaú Samuel Lima Feitosa, responsável por consolidar e validar os relatórios estratégicos antes do envio aos órgãos competentes.

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