A prisão do ex-chefe da inteligência brasileira Alexandre Ramagem por agentes do ICE (U.S. Immigration and Customs Enforcement), nos Estados Unidos, nesta segunda-feira (13/4), ganhou destaque na imprensa internacional e ocorre após meses de articulação entre a Polícia Federal e autoridades americanas.
O jornal britânico The Guardian enfatizou o caráter inusitado da prisão, destacando que Ramagem foi o único entre os condenados que não iniciou o cumprimento da pena por ter deixado o país antes da sentença. A reportagem detalha as acusações contra o ex-chefe da Abin, incluindo o uso de softwares de espionagem para monitorar autoridades, jornalistas e adversários políticos, além de mencionar que ele teria alegado, enquanto vivia nos EUA, ter apoio de integrantes do governo dos EUA.
Já o The Washington Post deu destaque ao caráter internacional da operação, descrevendo a prisão como o desfecho de uma “caçada” que durou meses em dois continentes. O jornal detalha sua fuga — que incluiu a travessia da fronteira com a Guiana antes de embarcar para os Estados Unidos. A publicação também contextualiza o caso dentro da crise política brasileira, citando que a tentativa de golpe incluía planos de assassinato de autoridades e culminou nos ataques de 8 de janeiro de 2023, comparados ao episódio da invasão ao Capitólio nos EUA em 2021.
A rede Al Jazeera adotou um tom mais factual e baseado em agências, destacando que Ramagem foi detido por autoridades migratórias americanas após fugir do Brasil. O veículo ressalta que há um pedido formal de extradição feito pelo governo brasileiro e observa que não há confirmação independente sobre os motivos específicos da detenção.
A Reuters também seguiu uma linha direta e informativa, enfatizando que a prisão ocorreu após cooperação entre autoridades brasileiras e americanas, mas sem confirmação oficial de que a detenção esteja ligada diretamente ao pedido de extradição.
Já a emissora alemã Deutsche Welle reforçou o contexto jurídico, destacando que o Brasil solicitou formalmente a extradição em dezembro e que a detenção foi resultado de cooperação internacional. Assim como outros veículos, apontou a ausência de detalhes por parte do ICE sobre as circunstâncias da prisão.
Alexandre Ramagem está condenado a 16 anos de prisão por participação na tentativa de golpe após as eleições de 2022, Ramagem havia fugido do Brasil antes do trânsito em julgado e vinha sendo monitorado pelas autoridades.
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