Pesquisa revela que apenas o Piauí tem índice pior; na Região Norte, sub-registro de mortes de bebês menores de 1 ano ultrapassa 26%; Brasil melhora, mas Acre estaciona
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou um flagrante preocupante: o Acre ocupa a segunda colocação nacional entre os estados com maior taxa de subnotificação de óbitos no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). O índice do estado é de 3,07% – ou seja, cerca de uma morte a cada 33 não é oficialmente registrada. Fica atrás apenas do Piauí (7,14%) e à frente do Maranhão (3,04%).
Enquanto o Brasil como um todo reduziu a subnotificação de óbitos para 1% em 2024 (uma queda de 1,32 ponto percentual desde 2015), o Acre patina no atraso. O resultado coloca o estado em destaque negativo no cenário nacional.
A “vítima” silenciosa – a mortalidade infantil:
O desafio é ainda mais cruel na Região Norte. O IBGE estima que o sub-registro de óbitos de menores de um ano chegou a 26,55% – a maior taxa entre todas as regiões brasileiras. Segundo técnicos do instituto, fatores como mortes em áreas remotas, dificuldades logísticas e fragilidades no fluxo de investigação contribuem para o cenário.
Isso significa que mais de uma em cada quatro crianças que morrem no primeiro ano de vida na região Norte não é contabilizada oficialmente – uma falha criminosa na formulação de políticas públicas de saúde.
O contraste com os nascimentos (onde o Acre não aparece mal, mas a região sim):
O Brasil apresentou melhora histórica no registro de nascimentos. Pela primeira vez, o percentual estimado de sub-registro de nascidos vivos caiu para 0,95%, abaixo de 1% – aproximando o país da meta da ONU. No entanto, os piores desempenhos são de estados do Norte e Nordeste: Roraima (13,86%), Amapá (5,84%), Amazonas (4,40%), Piauí (3,98%) e Sergipe (3,10%).
O estudo também revela que nascimentos de mães adolescentes seguem mais vulneráveis ao sub-registro, especialmente na Região Norte. Entre mães com menos de 15 anos, o percentual nacional chegou a 6,10%, com destaque para Roraima (39,35%).
A investigação que o Acre precisa fazer:
Por que o estado não consegue registrar adequadamente suas mortes? Falta de estrutura nos cartórios? Distâncias geográficas? Desinteresse do poder público? O fato é que cada óbito não registrado é um dado invisível que compromete a alocação de recursos em saúde, segurança e assistência social.
O IBGE entregou o laudo pericial. Agora, cabe ao governo do Acre e ao Ministério Público investigar as causas desse “crime estatístico” – e punir eventuais responsáveis pela negligência. A população não pode continuar sendo apagada dos números oficiais. As informações são do O Alto Acre
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