Conselheiro de Trump evita declarar apoio de Trump a Flávio Bolsonaro nos EUA

Conselheiro de Trump evita declarar apoio de Trump a Flávio Bolsonaro nos EUA

Jason Miller, ligado à ala mais radical do trumpismo, desconversou ao ser questionado sobre apoio ao senador brasileiro

A coletiva concedida por Flávio Bolsonaro em Washington, nesta terça-feira (26), acabou expondo um detalhe incômodo para a estratégia internacional do senador: a ausência de um apoio explícito do entorno de Donald Trump à sua pré-candidatura presidencial.

O momento ocorreu quando jornalistas questionaram Jason Miller sobre um possível apoio de Trump a Flávio Bolsonaro.

Miller evitou responder diretamente. Em vez de declarar apoio ao senador brasileiro, afirmou apenas que “o povo brasileiro vai tomar a decisão correta” e acrescentou que Trump estaria “preocupado com as eleições no Brasil”.

A fala chamou atenção porque Miller foi um dos principais estrategistas da campanha de Donald Trump e atuou como braço direito do republicano em momentos centrais do trumpismo. Atualmente, ele não ocupa cargo formal na Casa Branca e atua como conselheiro externo próximo ao núcleo político de Trump, sendo identificado como um dos nomes ligados à ala mais radical do movimento trumpista.

A resposta gerou desconforto entre integrantes da comitiva bolsonarista, porque a viagem aos Estados Unidos vinha sendo tratada por aliados de Flávio como uma demonstração de força política internacional e de alinhamento direto com o trumpismo.

Nos bastidores do PL, havia expectativa de que a agenda em Washington produzisse imagens e declarações capazes de reforçar a narrativa de continuidade entre Jair Bolsonaro e Donald Trump, agora personificada em Flávio Bolsonaro.

Resultado abaixo do esperado

A fala de Miller, porém, acabou ficando muito abaixo do que aliados esperavam. Mesmo sendo um dos principais operadores políticos do trumpismo e alguém historicamente próximo da família Bolsonaro, Miller preferiu não transformar a eleição brasileira em um compromisso público do entorno de Trump.

A cautela ocorre justamente no momento em que Flávio enfrenta desgaste provocado pelas revelações envolvendo o caso Banco Master e o financiamento do filme “Dark Horse”, produção voltada à promoção política de Jair Bolsonaro.

A coletiva também chamou atenção porque a assessoria de Flávio informou previamente à imprensa que seriam aceitas “apenas perguntas sobre a agenda nos EUA”, numa tentativa de evitar questionamentos sobre Daniel Vorcaro, o Banco Master e os recursos usados na produção do filme.

Mesmo assim, o tema político acabou dominando parte da coletiva. Na prática, Jason Miller adotou um movimento de contenção política: preservou a relação com os Bolsonaro sem conceder a Flávio a imagem de candidato oficialmente respaldado pelo trumpismo.

Por Cleber Lourenço e Jamil Chade

Veja também

Bombardeio mais letal em anos mata 20 pessoas na Colômbia, sob acusação de guerrilheiros

Bombardeio mais letal em anos mata 20 pessoas na Colômbia, sob acusação de guerrilheiros

De La Spriella bombardeia seu povo com a ajuda de seus aliados Estados Unidos e …