Fernando Cerimedo continua sendo notícia de destaque em vários países da América Latina. Ele foi preso, na semana passada, após ter sido acusado pela ex-namorada Nadia Beller de ser o mandante dos tiros contra ela na porta de um hotel em Santa Cruz de la Sierra. Às lágrimas, Cerimedo negou a autoria da tentativa de feminicídio, de acordo com seus advogados.
Gravações
Nadia Beller, porém, ratificou suas afirmações em entrevistas à imprensa na Argentina e na Bolívia. Ao ter alta, ela pediu para não voltar para casa, temendo por sua vida. E foi levada para a casa de conhecidos na Bolívia. Beller contou que gravava o então namorado porque passou a perceber que Cerimedo lhe contava demais, além das promessas não cumpridas de que deixaria a família em Buenos Aires, na Argentina, para ficarem juntos na Bolívia. Em entrevista ao La Nación, da capital argentina, ela disse que “está gravado” que Cerimedo teria dito que “Milei é louco” e que a irmã dele, Karina Milei, seu braço forte na Presidência, teria cobrado propinas em negócios do governo. Os celulares de Beller foram roubados no momento do ataque a tiros que sofreu. A polícia boliviana realizou, no entanto, perícia no celular de Cerimedo onde encontrou, de acordo com o Página 12, de Buenos Aires, declarações que sugerem a “encomenda” para eliminá-la. “Ou a eliminamos ou estamos ferrados”, disse em uma das conversas com um interlocutor.
Ramificações e raiz bolsonarista
A imprensa argentina tem dado destaque aos atos de Cerimedo, já que ele foi fundamental para a eleição de Milei à Casa Rosada por ser o pilar da estratégia digital da campanha do presidente argentino. Nesta quinta-feira, o Clarin, de Buenos Aires, informa que há denúncias do influencer brasileiro Felipe Neto contra Cerimedo com data de 2022. O argumento é de calúnia e a demanda de US$ 10 mil, de acordo com o expediente citado pela reportagem. Naquele ano, Cerimedo já era associado aos Bolsonaro e os defendia em suas redes sociais, questionando as urnas eletrônicas do Brasil e o processo eleitoral brasileiro. Ele chegou a ser indiciado pela Polícia Federal por divulgar informações não verdadeiras.
Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Honduras, Estados Unidos
Além do Brasil e da Argentina, Cerimedo foi definido como assessor especial do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, de acordo com Nadia Beller e com o vice-presidente do país, distanciado há tempos do presidente. “Cerimedo tem mais poder do que eu”, disse Edmand Lara. São tempos difíceis para Rodrigo Paz.
No Chile, por sua vez, o portal de notícias El Mostrador, de Santiago, revelou, nesta semana, que assessores do atual presidente Kast teriam trabalhado com Cerimedo nas campanhas dos plebiscitos para a nova constituição. Eles teriam participado das campanhas pelo não à uma nova Carta Magna. Acabou vencendo o não e o Chile manteve, então, a constituição dos tempos do ditador Pinochet, que recebeu modificações em tempos democráticos, mas mantém sua essência com o pinochetismo.
Em Honduras, o presidente Nasry Asfura contou com a assessoria de Cerimedo, segundo a imprensa argentina. Asfura foi eleito com forte apoio de Trump. Nesta semana, o jornal El Diario Ar informou em suas redes sociais que Cerimedo aparece nos vídeos de campanha que anunciam a presença de Milei num ato de Trump para as eleições legislativas de novembro. Cerimedo já tinha sido premiado nos Estados Unidos como consultor político estrela das Américas. Agora, continua preso na Bolívia. E as perguntas que a oposição na Argentina fazem são: “Cerimedo falará? Fará revelações?”
Por Marcia Carmo
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