Denúncia: detenta dorme no chão de pedra há seis dias na delegacia de Cruzeiro do Sul

Denúncia: detenta dorme no chão de pedra há seis dias na delegacia de Cruzeiro do Sul

Eliane dos Santos, de 43 anos, aguarda transferência para Tarauacá sem colchão, cobertor ou banheiro; IAPEN alega falta de viaturas; presídio feminino local foi interditado por risco de colapso

A ausência de vagas no sistema prisional feminino e problemas logísticos do Estado estão submetendo mulheres detidas a condições subumanas na Delegacia Geral de Cruzeiro do Sul. O caso mais recente é o de Eliane dos Santos, de 43 anos, presa na unidade policial desde a última sexta-feira (15) – há seis dias –, segundo denúncia de familiares. Eliane está dormindo no chão de pedra, sem acesso a colchão, cobertores ou estrutura adequada de higiene pessoal.

“Ela está em uma cela onde não tem onde fazer necessidade, onde não tem onde tomar banho. Ela dorme numa pedra, sem colchão, no frio, sem coberta. Isso é uma crueldade” , desabafou a sobrinha Yasmin Oliveira em vídeo publicado nas redes sociais.

O drama (e a omissão):

  • Eliane já passou por audiência de custódia e aguarda transferência para o Presídio Moacir Prado, em Tarauacá (a cerca de 220 km de distância).

  • Segundo Yasmin, a remoção não foi realizada por falta de viaturas do Instituto de Administração Penitenciária do Acre (IAPEN).

  • A defesa acionou o Ministério Público e a administração penitenciária, mas relata ausência de respostas céleres.

A causa estrutural do caos:

Segundo O Alto Acre, o  vácuo na segurança pública local é reflexo direto da demolição da Unidade Penitenciária Feminina Guimarães Lima, em Cruzeiro do Sul. O prédio, construído há mais de 50 anos, apresentava graves falhas estruturais com risco iminente de colapso. Em setembro de 2025, a 2ª Vara Criminal de Cruzeiro do Sul determinou a interdição total do presídio feminino. Até o momento, as obras para a nova estrutura não foram iniciadas.

O impacto socioeconômico do crime:

A centralização das vagas femininas em Tarauacá transferiu o ônus financeiro para as famílias. Além do custo do deslocamento (mais de 200 km), parentes relatam dificuldades para arcar com hospedagem. Há registros de familiares que dormem na rodoviária para conseguir entregar mantimentos e itens de higiene nos dias de visita.

O que a família quer (e a lei exige):

Familiares organizaram uma manifestação em frente à delegacia para cobrar providências urgentes. Enquanto isso, Eliane segue refém do descaso. O Estado do Acre, que já foi condenado por outras situações análogas, corre o risco de ser novamente responsabilizado por crime de tortura – já que a privação de condições mínimas de dignidade é expressamente vedada pela Lei de Execução Penal e pela Constituição.

A reportagem segue cobrando do IAPEN e do governo estadual uma solução imediata. O tempo passa – e o chão de pedra continua sendo o único “colchão” de Eliane.

Veja vídeo:

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