Ê São Paulo: explosão no Jaguaré é a quarta tragédia fatal da Sabesp em pouco mais de um ano

Ê São Paulo: explosão no Jaguaré é a quarta tragédia fatal da Sabesp em pouco mais de um ano

A tarde desta segunda-feira, 11 de maio, transformou o bairro do Jaguaré, na Zona Oeste de São Paulo, em um cenário de guerra. O que deveria ser uma manutenção de rotina da Sabesp resultou em uma explosão devastadora após uma equipe da companhia atingir uma tubulação de gás encanado na Rua Floresto Bandecchi.

O rastro de destruição é severo: ao menos 46 imóveis atingidos, escombros espalhados e uma morte confirmada pelo Corpo de Bombeiros.

Relatos de moradores descrevem cenas de horror, com pessoas sendo lançadas pela força do deslocamento de ar e pedidos de socorro vindos debaixo dos destroços. Até o momento, além do óbito, duas pessoas foram socorridas conscientes para o Pronto-Socorro Regional de Osasco.

A Defesa Civil e 12 viaturas dos Bombeiros permanecem no local isolando a área devido ao forte cheiro e ao risco de novos vazamentos.

Em nota, a Sabesp diz que “se solidariza com as vítimas da ocorrência registrada na região e informa que atuava no local em uma obra de remanejamento de tubulação de água, realizada em alinhamento operacional e acompanhamento com a concessionária de gás.”

“Durante a execução dos trabalhos, houve o atingimento de uma rede de gás, com imediata paralisação da atividade e acionamento da concessionária responsável para adoção dos procedimentos técnicos necessários. Durante a mobilização da equipe técnica para realização do reparo, ocorreu a explosão. As causas da ocorrência estão sendo apuradas pelas empresas e pelas autoridades competentes. Neste momento, a prioridade da Sabesp é prestar todo o apoio necessário às vítimas, moradores, comerciantes e demais pessoas impactadas na área afetada, permanecendo à disposição para colaborar integralmente com as apurações”, resume a empresa.

Um Histórico de Falhas Fatais

A tragédia no Jaguaré não é um caso isolado, mas o capítulo mais recente de uma sequência de incidentes fatais envolvendo a infraestrutura e a gestão de obras da Sabesp.

Nos últimos meses, a companhia — que foi privatizada no governo Tarcísio de Freitas com uma cena ridícula de uma martelada viril na sede da bolsa de valores B3 — tem acumulado falhas que custaram vidas:

  • Mairiporã (Março de 2026): Há apenas dois meses, o rompimento de um reservatório em construção no bairro Capoavinha matou um operário de 45 anos. A enxurrada de lama e água destruiu veículos e atingiu residências.
  • Mauá (Setembro de 2025): Uma idosa de 79 anos perdeu a vida dentro de sua própria casa após uma tubulação de uma obra da Sabesp se soltar de um barranco e esmagar parte da residência no Jardim Zaíra.
  • Litoral Norte (Março de 2025): Dois trabalhadores terceirizados morreram soterrados durante obras de saneamento em Ubatuba, levantando questionamentos sobre a segurança e a fiscalização das empresas contratadas.

Segurança em Xeque

O incidente de hoje levanta questões críticas sobre o mapeamento de redes subterrâneas e o modelo de gestão da Sabesp. Como uma equipe de saneamento atinge uma tubulação de gás com tal intensidade?

Sindicatos e órgãos reguladores, como a Arsesp, têm sido pressionados a investigar se a aceleração de cronogramas e a redução de custos na operação têm comprometido os protocolos de segurança.

Enquanto a fumaça ainda baixa no Jaguaré, famílias contabilizam prejuízos totais de suas casas e a cidade lamenta mais uma vítima. A Sabesp, em notas recorrentes, afirma prestar assistência e investigar as causas, mas para os moradores da Rua Floresto Bandecchi, a sensação é de que a infraestrutura que deveria levar saúde e dignidade tornou-se, novamente, uma ameaça fatal.


Saiba como buscar indenização

Vítimas de danos causados por concessionárias de serviços públicos podem buscar reparação com base na Responsabilidade Objetiva. Isso significa que a empresa responde pelos danos causados independentemente de culpa direta.

Passos recomendados:

  1. Reúna laudos da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.
  2. Registre fotos e vídeos de todos os danos materiais.
  3. Guarde notas fiscais de bens perdidos e orçamentos de reconstrução.
  4. Caso não haja assistência imediata ou acordo satisfatório, procure a Defensoria Pública ou um advogado especializado.
Por Kiko Nogueira

 

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