Ativistas sionistas protestaram em frente à sede do New York Times, em Nova York, após a publicação de um artigo do jornalista Nicholas Kristof com relatos de violência sexual contra palestinos em prisões israelenses. O ato pró-Israel ocorreu em meio à reação do governo de Benjamin Netanyahu contra o jornal, que passou a ser ameaçado com uma ação por difamação, contrariando vídeos que mostram os atos criminosos e relatos de diversos jornalistas de outros países.
Os manifestantes exibiram cartazes contra o que chamaram de “ódio aos judeus” e pediram a demissão de Kristof. O texto do jornalista, publicado na seção de opinião do jornal, reúne denúncias de palestinos que afirmam ter sofrido abusos sexuais sob custódia de militares, agentes penitenciários, interrogadores e colonos israelenses.
As acusações provocaram reação imediata do governo de Israel. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que Netanyahu e o chanceler Gideon Sa’ar instruíram o início de uma ação judicial contra o New York Times.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro das Relações Exteriores Gideon Sa’ar instruíram o início de uma ação por difamação contra o The New York Times”, escreveu a chancelaria israelense.
“Essa ameaça, semelhante a uma feita no ano passado, faz parte de um roteiro político conhecido que busca minar a reportagem independente e sufocar o jornalismo que não se encaixa em uma narrativa específica”, afirmou. “Qualquer alegação legal desse tipo não teria mérito”.
O jornal também defendeu a apuração de Kristof. Charlie Stadtlander, outro porta-voz do Times, afirmou que as entrevistas foram checadas com testemunhas, familiares, advogados, entidades de direitos humanos, pesquisas independentes e depoimentos apresentados à ONU.
Relatos de tortura e abuso sexual contra palestinos nas cadeias israelenses se tornaram comuns no contexto do genocídio em Gaza
Em julho de 2014, dez soldados foram detidos por um de estupro em campo de detenção. Três dos estupradores, no entanto, foram liberados em meio à pressão de militantes coloniais e políticos supremacistas do governo.
Em 2024 a ONU denunciou vídeo ‘chocante’ de estupro de palestinos nas cadeias de Israel. O vídeo mostrava soldados israelenses cometendo abuso sexual contra um prisioneiro palestino no campo de detenção de Sde Teiman.
“Trata-se de uma das muitas violações grosseiras nos meses recentes contra prisioneiros palestinos nas cadeias de Israel, incluindo maus tratos, tortura e estupro”, alertou o porta-voz da agência, Jeremy Laurence em reportagem publicada pela Agência de Notícias Anadolu.
Em 2025, o Palestine Chronicle trouxe um dado ainda mais terrível, o uso de cachorros treinados para estuprar palestinos. Os depoimentos revelaram uma série de estupros e torturas sexuais, incluindo estupros coletivos, estupro com cães, além de estupro com garrafas e paus.
Estima-se que cerca de 11 palestinos estão em custódia de Israel, a maioria em detenção arbitrária se julgamento ou sequer acusação — reféns por definição. Todos eles, independente do sexo são vítimas em potencial da prática de estupros.
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