Trump prepara ataque contra Cuba

Trump prepara ataque contra Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou nas últimas semanas sua retórica contra Cuba, adotando uma estratégia que analistas e diplomatas comparam ao modelo utilizado anteriormente contra a Venezuela. O governo americano ampliou sanções, elevou a pressão diplomática e reforçou sua presença militar no Caribe, enquanto declarações da Casa Branca indicam o objetivo de provocar mudanças no regime cubano.

Segundo a reportagem do jornal espanhol El Diario, a acusação formal apresentada contra Raúl Castro reproduz um movimento semelhante ao adotado por Washington contra Nicolás Maduro anos antes. A medida ocorre em meio ao envio do porta-aviões USS Nimitz para a região e a sucessivas declarações de integrantes do governo americano classificando Cuba como uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.

Ao comentar a situação da ilha, Trump afirmou que pretende “ajudar” Cuba a se reerguer e declarou que poderá ser o presidente responsável por promover mudanças no país. “Parece que serei eu quem fará isso. Então, farei com prazer. Queremos abrir as portas para os cubano-americanos para que possam retornar e ajudar”, disse. O presidente voltou a defender a ampliação da influência americana sobre a ilha e mencionou repetidamente a comunidade cubano-americana da Flórida como apoiadora da iniciativa.

O secretário de Estado Marco Rubio também endureceu o discurso. Sem apresentar provas, afirmou que Cuba abriga estruturas de inteligência ligadas à Rússia e à China e classificou Havana como um dos principais patrocinadores estatais do terrorismo. Questionado sobre uma eventual ação militar, Rubio declarou que a preferência do governo continua sendo uma solução diplomática, mas acrescentou que o presidente tem a obrigação de agir diante de ameaças à segurança nacional.

A escalada ocorre em um momento de agravamento da crise econômica cubana. A interrupção do fornecimento de petróleo por parte de fornecedores tradicionais, associada às sanções impostas por Washington, provocou apagões prolongados, escassez de combustíveis e dificuldades crescentes no funcionamento de serviços essenciais. O texto cita avaliações de especialistas que relacionam o endurecimento das sanções ao agravamento das condições sociais e de saúde na ilha.

Além da pressão econômica, decisões recentes do Judiciário americano abriram caminho para processos de indenização relacionados a propriedades nacionalizadas após a Revolução Cubana. Paralelamente, o governo ampliou sanções contra dirigentes e empresas ligadas ao setor de segurança de Cuba e aumentou as restrições a companhias estrangeiras que mantêm negócios com o país.

A movimentação também provocou reação política em Washington. Senadores democratas apresentaram uma resolução destinada a impedir eventual ação militar não autorizada contra Cuba. Parlamentares também se manifestaram contra propostas para utilizar a base de Guantánamo como centro de detenção de migrantes. Uma pesquisa da YouGov citada pela reportagem mostra que 64% dos americanos se opõem a uma guerra contra Cuba, enquanto apenas 15% apoiam uma intervenção militar.

Diplomatas e analistas afirmam que o conjunto de medidas adotadas pelo governo Trump representa uma escalada acelerada de pressões políticas, econômicas e militares sobre Havana. O presidente cubano Miguel Díaz-Canel alertou recentemente que uma eventual intervenção poderia resultar em “um banho de sangue”, enquanto cresce o temor de que o agravamento da crise provoque novas ondas migratórias e amplie a instabilidade regional.

Veja também

Tarifaço de Trump pode atingir 36,5% das exportações do agro brasileiro aos EUA

Tarifaço de Trump pode atingir 36,5% das exportações do agro brasileiro aos EUA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil afirmou que 36,5% das exportações do agronegócio …