Grupo Especial de Fronteira (Gefron) apreendeu 1.687 quilos de drogas entre janeiro e maio de 2026, maior parte de maconha tipo skunk; coordenador atribui aumento à mudança no perfil de produção dos países vizinhos e à integração das forças de segurança
O Acre tem se consolidado como uma das principais portas de entrada da maconha do tipo skunkno Brasil. Com mais de 2 mil quilômetros de fronteira com a Bolívia e o Peru – países que tradicionalmente produziam cocaína e que agora também investem na produção da droga – o estado tem registrado apreensões cada vez maiores nos últimos anos.
Dados do Grupo Especial de Fronteira (Gefron), vinculado à Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), mostram que entre janeiro e maio de 2026 foram apreendidos 1.687 quilos de drogas no Acre. A maior parte do material confiscado é composta por maconha do tipo skunk.
De acordo com o coordenador do Gefron, coronel Assis, a droga que entra pelas fronteiras acreanas é distribuída para diversas regiões do país. Segundo ele, a mudança no perfil da produção de entorpecentes nos países vizinhos tem influenciado diretamente o aumento das apreensões.
“A Bolívia e o Peru estão produzindo maconha. As nossas grandes apreensões até agora foram na fronteira com os dois países. A do Peru entra pelo Vale do Juruá. O que vem da Bolívia tem como principais rotas os municípios de Brasiléia, Epitaciolândia e Plácido de Castro. A maconha é mais fácil de produzir. Para produzir cocaína é necessário muito material químico, enquanto a maconha exige um processo mais simples” , explicou o militar.
Segundo o coronel, essa nova dinâmica vem sendo observada pelas forças de segurança há cerca de três a quatro anos, período em que os órgãos de inteligência intensificaram o monitoramento das rotas do tráfico. “Estamos acompanhando essas mudanças. As agências de inteligência estão nos passando informações constantemente”, afirmou.
O coordenador destaca que as apreensões de drogas tiveram um crescimento de 128% entre agosto de 2024 e maio de 2026. Para ele, os resultados são consequência da integração entre as forças de segurança e do fortalecimento das operações de fronteira.
“O aumento nas apreensões é resultado da integração com as agências de inteligência, principalmente a Polícia Federal e a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da capacitação dos operadores, da ampla divulgação do número de disque-denúncia e da ampliação das ações para todas as cinco microrregiões do estado” , ressaltou.
Atualmente, o Gefron mantém bases operacionais em três regiões estratégicas: no Baixo Acre (Senador Guiomard), no Alto Acre (Epitaciolândia) e no Juruá (Cruzeiro do Sul). Além disso, foi criado um núcleo de apoio às operações e monitoramento de rotas.
De acordo com o coronel Assis, os investimentos e a ampliação das ações também contribuíram para a redução de outros tipos de crimes na faixa de fronteira. “Conseguimos reduzir em 90% os casos de veículos roubados ou furtados que eram levados para a Bolívia. Neste ano, já ultrapassamos os números de apreensões registrados em todos os anos anteriores”, concluiu. As informações são do O Alto Acre
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