Não tem como estornar um pagamento no Zelle. Como as transferências são registradas em minutos, não é possível solicitar o reembolso pelo aplicativo. O que o cliente pode fazer é entrar em contato com a sua instituição financeira ou com o destinatário para fazer negociações.
Zelle: sistema dos EUA que Eduardo Bolsonaro quer trocar pelo Pix é ninho de fraudes
O jornalista Kiko Nogueira explica que a principal diferença, e a mais preocupante, reside na segurança e na velocidade. Enquanto uma transação no Pix é compensada em um ou dois segundos, no Zelle, a compensação leva “alguns minutos”, segundo a própria explicação dos responsáveis. Isso significa que o Zelle é impraticável para o dia a dia do brasileiro, inviabilizando pagamentos a vendedores ambulantes, motoristas de táxi ou qualquer serviço que exija compensação imediata. A sugestão de trocar o Pix por um sistema tão custoso e ineficiente é, portanto, desastrosa para o cidadão comum.
A epidemia de fraudes no Zelle: milhões de dólares perdidos
Além da ineficiência, o Zelle é notório por ser um terreno fértil para fraudes e golpes. Em 2023, o sistema facilitou mais de 2,9 bilhões de transações, totalizando mais de US$ 806 bilhões em pagamentos. No entanto, por trás desses números, esconde-se uma realidade sombria. Embora a empresa por trás do Zelle afirme que menos de 0,001% das transações reportaram fraude, um relatório da CNN revelou que os consumidores perderam US$ 210 milhões para golpistas em aplicativos de pagamento e serviços apenas em 2023.
Os tipos de golpes são variados:
- Golpes de personificação: Fraudadores se passam por representantes de bancos ou contatos confiáveis, induzindo usuários a enviar dinheiro.
- Vendas falsas: Usuários são enganados a pagar por bens ou serviços inexistentes, frequentemente anunciados em classificados ou redes sociais.
- Golpes de aluguel: Indivíduos em busca de imóveis são levados a pagar depósitos via Zelle a proprietários fraudulentos que desaparecem após receber o pagamento, um problema particularmente prevalente em mercados imobiliários competitivos.
- Golpes bancários: Clientes relataram perdas de milhares de dólares devido a golpistas que se passavam por representantes de bancos.
Diante dessa epidemia de fraudes, o Zelle tem sido alvo de escrutínio. Em agosto, grandes bancos como JPMorgan Chase e Wells Fargo foram contatados pelo Consumer Financial Protection Bureau (CFPB), agência federal dos Estados Unidos responsável por fiscalizar bancos e instituições financeiras, sobre a forma como lidam com disputas de clientes.
O relatório do Subcomitê Permanente de Investigações de Segurança Interna e Assuntos Governamentais revelou que apenas 12% dos consumidores foram reembolsados por pagamentos contestados como golpes no Zelle em 2023. Isso demonstra a fragilidade do sistema e o risco que sua adoção representaria para a população brasileira.
A proposta de Eduardo Bolsonaro de trocar o Pix pelo Zelle não é apenas um erro técnico ou uma falha de análise; é uma demonstração de alinhamento cego com interesses estrangeiros, em detrimento de um sistema nacional que provou ser eficiente, seguro e inclusivo. Sugerir ao pipoqueiro, ao motorista de táxi ou a qualquer brasileiro comum trocar o Pix por um sistema de pagamentos custoso, ineficiente e propenso a fraudes é uma afronta à inteligência e à dignidade do povo brasileiro, pontua Kiko Nogueira.