A hipocrisia e o racismo estrutural pautam a atuação política do clã Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu usar crianças e adolescentes negros como palanque para destilar ódio de classe e surfar na recente aprovação da admissibilidade da Redução da Maioridade Penal pela CCJ da Câmara dos Deputados.
Em uma postagem repugnante no X, o parlamentar compartilhou um vídeo em que jovens negros aparecem segurando celulares. Sem apresentar qualquer contexto, boletim de ocorrência ou indício real de crime, o senador já cravou a sentença para inflamar sua base extremista: “Se tem idade pra roubar, tem idade pra responder pelos seus crimes! Redução da maioridade penal JÁ!”.
O legislador que rasga o ECA e o modus operandi racista
Ao fazer o papel de justiceiro das redes, o parlamentar que vive com o discurso punitivista na ponta da língua atropela sumariamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O artigo 17 da lei garante o direito ao respeito e à inviolabilidade da integridade moral de menores, o que abrange a preservação rigorosa da imagem e da identidade.
Expor adolescentes associando suas imagens a atos infracionais sem autorização judicial é uma violação grave. Flávio Bolsonaro não apenas joga jovens em situação de vulnerabilidade ao linchamento virtual, como os condena sem direito a defesa.
Esse modus operandi não é um acidente. A lógica do senador fica evidente ao analisarmos seu discurso no Senado Federal contra a Lei de Cotas em outubro de 2023. Naquela ocasião, ele tentou esvaziar o debate racial questionando cinicamente se a cor da pele impede alguém de passar no vestibular. O parlamentar finge não enxergar a cor da pele na hora de sabotar o acesso de pessoas negras à universidade, mas sabe exatamente qual é o perfil racial que deseja expor e jogar no sistema prisional.
A invertida nas redes: cadeia para os pobres e silêncio sobre os milhões
A tática rasteira de criminalizar a juventude negra e periférica esbarra no telhado de vidro de sua própria família. Enquanto o senador rosna pedindo cadeia para adolescentes, ele adota um silêncio sepulcral quando o assunto envolve os escândalos financeiros de colarinho branco que rondam o bolsonarismo.
A resposta nas redes foi imediata e escancarou a dupla moral do parlamentar. Um internauta então deu uma invertida no senador ao publicar uma foto de Flávio cercado por aliados e questionar a montanha de dinheiro envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. Esse é um esquema milionário e nebuloso que vem sendo exaustivamente denunciado pela reportagem da Fórum.
A invertida foi letal e mirou direto na contradição da extrema direita:
“Quantos celulares dá pra comprar com os milhões que Vorcaro deu pra FAMILÍCIA BOLSOMASTER e aliados?”
O bolsonarismo em sua essência
O episódio ilustra perfeitamente o projeto político da extrema direita brasileira. Para os meninos negros com celulares na mão, a presunção de culpa é imediata, o linchamento de imagem é livre e a suposta solução é o encarceramento. A imagem da criança preta é explorada como mero objeto de propaganda sádica para saciar a sede de vingança de uma base adoecida.
Já para os engravatados, os banqueiros e os próprios filhos do ex-presidente, que estão historicamente atolados em transações imobiliárias suspeitas em dinheiro vivo, rachadinhas e escândalos bancários, impera a presunção de inocência, o foro privilegiado e a blindagem institucional.
Flávio Bolsonaro tentou jogar para a plateia usando a pele de jovens negros como alvo fácil, mas saiu desmoralizado. A pergunta que fica ecoando nas redes sociais, e da qual o senador foge desesperadamente, é simples: quantos celulares seriam necessários para igualar as cifras astronômicas que irrigam os negócios obscuros do bolsonarismo? As informações são da Fórum
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