A porção arrogante do Rio Grande do Sul, que não é pequena, tem mais um exemplo a oferecer ao Brasil. Um emedebista histórico, o ex-deputado Cezar Schirmer, aliou-se à campanha do bolsonarismo ao governo do Estado, para trabalhar por empreitada.
Schirmer será conselheiro da estratégia do Coronel Zucco, o candidato do PL, mas por tempo determinado. É uma variação aplicada à política da proposta de PEC 12/2026, do senador Rogério Marinho (PL-RN), que institui o trabalho com a negociação flexível de horas de serviço.
Schirmer é secretário de Planejamento do prefeito Sebastião Melo, também do MDB. Sua situação cria esse detalhe inovador: ficou acertado que a suspensão da sua filiação, pelos constrangimentos causados entre emedebistas, vale até a eleição do primeiro turno. Depois, já no dia 6 de outubro, ele e o diretório irão reavaliar a relação com o partido.
Pelo envolvimento com a extrema direita, a filiação foi suspensa pela executiva do diretório estadual do MDB. O partido tem um candidato ao governo, o vice-governador Gabriel Souza, abandonado por uma parte das lideranças do próprio MDB. Souza também viu o PP, que pretendia atrair para a sua chapa, aliar-se a Zucco.
Em carta ao diretório, Schirmer relembra sua história no MDB desde a década de 70, se queixa do esvaziamento do partido no Estado e da imposição do nome de Souza como candidato e diz que “em todos esses anos, nunca precisei escolher entre o que era conveniente e o que era correto”. E acrescenta: “Hoje, lamentavelmente, essa escolha me é imposta”.
Especula-se que, para ser correto, dependendo da performance do coroné Zucco, Schirmer poderia bandear-se para o bolsonarismo, deixando de ser apenas um agregado temporário, para assumir a Secretaria de Segurança, onde já esteve no governo de José Ivo Sartori.
O emedebista entrou numa confusão. Zucco enfrenta o desgaste da crise provocada por Flávio Bolsonaro e suas relações com Vorcaro e Trump. O PP que o apoia e ofereceu a vice, deputada estadual Silvana Covatti, é atingido pelo mesmo desgaste com Ciro Nogueira e suas mesadas pagas pelo banqueiro mafioso.
Zucco está tão inseguro que anunciou, muito antes do evento, que não iria a um debate, na quarta-feira, com os candidatos ao governo do Estado Juliana Brizola (PDT), Gabriel Souza e Marcelo Maranata (PSDB), na Federasul, a federação do comércio.
Não apareceu na sede de um dos mais fortes e reacionários redutos empresariais da velha direita gaúcha contaminada pelo bolsonarismo. Decidiu cumprir compromissos em Brasília.
Foi apontado nas redes sociais com um coroné frouxo que fugiu do confronto com a neta de Brizola. O bolsonarismo gaúcho puxou muita gente da velha direita para o seu pântano. Schirmer é apenas o agregado mais famoso.
Por Moisés Mendes
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