A Polícia Federal apontou que o banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma relação considerada estratégica com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), supostamente voltada ao atendimento de interesses do Banco Master junto ao Congresso Nacional.
A conclusão consta de relatório incorporado ao inquérito que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo os dois no Supremo Tribunal Federal (STF). O sigilo do processo foi retirado nesta terça-feira (16) pelo ministro André Mendonça, permitindo o acesso a detalhes das investigações.
Entre os documentos reunidos pela PF estão fotografias de viagens internacionais em que Vorcaro e Ciro aparecem juntos. As imagens foram incluídas pelos investigadores como parte do conjunto de elementos analisados no caso. No relatório, a Polícia Federal sustenta que a proximidade entre o banqueiro e o senador ultrapassava os limites de uma amizade comum.
“Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos”, escreveu a Polícia Federal.
Segundo os investigadores, o parlamentar teria recebido diferentes benefícios financeiros atribuídos ao empresário. Entre eles estão a aquisição de participação societária por valor considerado inferior ao de mercado, repasses mensais de R$ 300 mil, utilização de um imóvel pertencente a Vorcaro e o custeio de despesas em viagens ao exterior.
A PF afirma que essas viagens incluíam gastos com hospedagem, alimentação em restaurantes de alto padrão e deslocamentos em voos privados. Fotografias anexadas ao inquérito mostram Vorcaro e Ciro Nogueira em encontros, jantares e viagens internacionais realizadas ao longo do período investigado.
De acordo com o relatório, uma das despesas atribuídas ao banqueiro envolve a estadia de Ciro no Park Hyatt New York, hotel de luxo localizado em Nova York, além de pagamentos relacionados a restaurantes e outros gastos vinculados ao senador e à sua acompanhante.
Os investigadores também registraram a suposta disponibilização de um cartão destinado à cobertura de despesas pessoais. A investigação identificou ainda mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e uma pessoa responsável por intermediar pagamentos.
O diálogo foi incluído pela Polícia Federal como um dos indícios analisados no inquérito em tramitação no STF. Em uma das conversas, o interlocutor questiona se os pagamentos referentes às despesas do senadir deveriam continuar sendo realizados.
“Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”, diz o interlocutor. Vorcaro, então, responde: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.
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