Tiro no pé: Jordy: bolsonarista que propôs CPI do Master queria pegar PT mas acertou no PL, PP e União

Tiro no pé: Jordy: bolsonarista que propôs CPI do Master queria pegar PT mas acertou no PL, PP e União

Jordy, bolsonarista que propôs CPI do Master, quer que “esqueçam o banqueiro” Daniel Vorcaro

Carlos Jordy (PL-RJ), deputado bolsonarista que protocolou um dos pedidos para criar a CPMI do Banco Master, pediu que se “esqueçam o banqueiro” Daniel Vorcaro, dono do banco investigado, e que a delação mire Daniel Monteiro, advogado preso na Operação Compliance Zero.

A frase resume a manobra política em torno da chamada CPI do Master: a oposição bolsonarista tenta usar o escândalo para deslocar o foco para o PT e, ao mesmo tempo, reduzir a pressão sobre Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que entrou no centro da crise após revelações sobre sua relação com Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”.

Veja a publicação de Jordy:

Jordy propôs CPI do Master, mas agora quer tirar Vorcaro do centro

Jordy publicou a frase depois de a Procuradoria-Geral da República rejeitar, nesta segunda-feira (15), a segunda proposta de delação premiada de Vorcaro. Segundo a EBC, a PF já havia recusado a proposta por entender que o banqueiro não apresentou fatos novos nem admitiu crimes.

A contradição é direta. Jordy protocolou um requerimento para investigar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, mas agora pede que o dono do banco seja deixado em segundo plano. Daniel Vorcaro é o personagem central da Operação Compliance Zero, investigação que apura fraudes no sistema financeiro, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

O pedido apresentado por Jordy ainda não criou a comissão. Segundo o Senado,  o requerimento foi protocolado em 3 de fevereiro com 42 assinaturas de senadores e 238 de deputados. A instalação formal depende da leitura do requerimento em sessão do Congresso.

CPMI fake tenta mirar o PT e blindar Flávio Bolsonaro

A tentativa de trocar Vorcaro por Monteiro não elimina a relevância do advogado na apuração. Daniel Monteiro foi preso em abril, em fase da Compliance Zero que também atingiu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O ponto é outro: uma CPI sobre o Banco Master não pode começar pedindo para “esquecer” o banqueiro que controlava o grupo.

É aí que aparece o caráter de CPMI fake. O bolsonarismo tenta transformar uma investigação sobre o Master, seus operadores financeiros, agentes públicos e conexões políticas em uma ofensiva seletiva contra o PT. Na prática, a mudança de foco ajuda a afastar a lupa de Flávio Bolsonaro.

A Fórum mostrou que Flávio Bolsonaro não assinou a CPI proposta pelo aliado sobre o Banco Master, embora tenha cobrado publicamente a instalação da investigação.

O senador também aparece na cobertura sobre “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A Fórum mostrou que Vorcaro incluiu FLávio Bolsonaro e o filme  em uma nova proposta de delação, depois rejeitada pela PGR.

O elo de Flávio com Vorcaro e Dark Horse

As revelações sobre o filme ampliaram a crise no PL. A Fórum mostrou que Mário Frias agradeceu Vorcaro pelo apoio a “Dark Horse” em áudio publicado pelo Intercept Brasil.

A Fórum também mostrou que Vorcaro pagou praticamente todo o filme  sobre Bolsonaro, segundo os registros revelados pela investigação jornalística.

Na versão de Flávio, não houve irregularidade. O senador admitiu a veracidade dos áudios divulgados e afirmou que o dinheiro seria privado e usado para custear o filme. A explicação, no entanto, não apaga o problema político para o bolsonarismo: o pré-candidato do PL à Presidência aparece ligado ao banqueiro que seus aliados agora dizem querer investigar.

O escândalo do Master não cabe no roteiro de Jordy

O Banco Master foi liquidado pelon BC em 18 de novembro de 2025. A Operação Compliance Zero apura, entre outros pontos, a fabricação de carteiras de crédito sem lastro, negócios com o BRB, suspeitas de propina, uso de operadores financeiros e conexões políticas do grupo.

Uma CPI real teria de seguir esse caminho: Vorcaro, Banco Master, BRB, Daniel Monteiro, operadores, fundos, agentes públicos e todos os políticos citados, inclusive Flávio Bolsonaro. Uma CPMI fake faz o inverso. Escolhe antes o alvo, tenta empurrar o caso para o PT e pede para esquecer justamente o banqueiro no centro do escândalo.

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