Puro suco de podridão: Figueiredo chama jornalistas da Globo de “p*” e diz que Miriam Leitão “não merece se estup*”

Puro suco de podridão: Figueiredo chama jornalistas da Globo de “p*” e diz que Miriam Leitão “não merece se estup*”

Se Paulo Figueiredo está de um lado, obrigatoriamente mulheres e homens de bom senso têm de estar no lado oposto

Paulo Figueiredo, influenciador da extrema direita e aliado da família Bolsonaro, chamou jornalistas da GloboNews de “putas” e “prostitutas do Lula” e afirmou que Miriam Leitão “não merece ser estuprada”. Os ataques misóginos aparecem em um vídeo que passou a circular nas redes sociais na noite desta terça-feira (28).

No vídeo, Figueiredo ataca as profissionais da GloboNews em bloco e associa o trabalho das jornalistas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“As putas do Lula na GloboNews. Todas elas. Todas elas são putas e prostitutas do Lula”, afirma.

Em seguida, o bolsonarista cita Miriam Leitão nominalmente e reproduz a lógica de uma das agressões mais conhecidas de Jair Bolsonaro contra as mulheres.

“Miriam Leitão, eu jamais ia estuprar você, porque você não merece”, diz Paulo Figueiredo.

Paulo Figueiredo acumula ataques misóginos contra jornalistas

A agressão contra as profissionais da GloboNews não é um episódio isolado. Em junho, Paulo Figueiredo já havia atacado a jornalista Andréia Sadi, que reagiu ao vivo e classificou a conduta do influenciador como “nojenta”.

Os ataques anteriores também provocaram reação política. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou a Procuradoria-Geral da República contra Figueiredo por declarações misóginas dirigidas a mulheres ligadas à direita e ao próprio bolsonarismo.

Figueiredo também mantém uma rotina de ataques contra jornalistas que publicam informações desfavoráveis à família Bolsonaro. No início de julho, ele investiu contra profissionais da imprensa após a divulgação de bastidores da crise envolvendo a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

A frase usada contra Miriam Leitão repete ataque de Bolsonaro

A declaração de Paulo Figueiredo contra Miriam Leitão repete quase literalmente a frase usada por Jair Bolsonaro contra a então deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), em dezembro de 2014.

Na ocasião, Bolsonaro disse no plenário da Câmara que não estupraria a parlamentar porque ela “não merecia”. Dois dias depois, voltou ao tema e afirmou que Maria do Rosário seria “muito feia” e não faria seu “gênero”.

Segundo o STJ, dizer que uma mulher “não merece ser estuprada” apresenta o estupro como se fosse um prêmio ou benefício concedido pelo agressor. A ministra Nancy Andrighi classificou a expressão como “vil” e afirmou que ela menospreza de forma atroz a dignidade das mulheres.

Miriam Leitão foi torturada nua e grávida na ditadura

O ataque de Paulo Figueiredo tem como alvo uma jornalista que foi presa e torturada durante a ditadura militar. Miriam Leitão tinha 19 anos e estava grávida de seu primeiro filho quando foi detida por agentes do regime, em 1972.

A jornalista relatou que foi espancada, obrigada a permanecer nua diante de agentes da repressão e deixada em uma sala escura com uma cobra. O episódio consta de manifestação oficial da Procuradoria da Mulher da Câmara dos Deputados.

Em 2022, Eduardo Bolsonaro já havia debochado da violência sofrida por Miriam Leitão ao publicar uma referência à cobra utilizada pelos torturadores. A provocação ocorreu dias antes da divulgação de áudios inéditos do Superior Tribunal Militar que expuseram relatos de tortura durante a ditadura, inclusive contra mulheres grávidas.

A relação entre o ataque de Eduardo e a divulgação dos registros históricos foi detalhada em reportagem da Fórum. O deputado também voltou a atacar Miriam ao exigir vídeos das sessões de tortura, como registrou a Fórum.

Neto do último ditador e aliado de Flávio Bolsonaro

Paulo Figueiredo é neto do general João Baptista Figueiredo, último presidente da ditadura militar, que governou o Brasil entre 1979 e 1985. Radicado nos Estados Unidos, o influenciador tornou-se aliado de Eduardo Bolsonaro e conselheiro político de Flávio Bolsonaro.

A Fórum revelou recentemente que Figueiredo comprou uma mansão de US$ 1,2 milhão, cerca de R$ 6,1 milhões, nos Estados Unidos, enquanto acumulava dívidas tributárias.

Ele também foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, ao lado de Eduardo Bolsonaro, por coação no curso do processo. A acusação envolve a atuação dos dois nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e estimular sanções contra o país.

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