Usada sem saber: doméstica assina escritura de mansão ligada a amigo de Flávio Bolsonaro

Usada sem saber: doméstica assina escritura de mansão ligada a amigo de Flávio Bolsonaro

Uma ex-funcionária do escritório do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), passou a dirigir empresas ligadas a ele e assinou documentos de uma disputa por uma mansão avaliada em R$ 10 milhões em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro. A mulher, Lídia Maria Figueiredo Mazelli, afirmou trabalhar como doméstica quando foi abordada por jornalistas e negou conhecer o advogado. As informações são da newsletter Noites Húngaras, do jornalista Paulo Motoryn.

Lídia trabalhou no escritório de Tomaz entre março de 2019 e setembro de 2020. Quatro dias após o fim do vínculo, passou a constar como dirigente da Jet Line Locação e Serviços Aéreos. Na mesma época, assumiu a diretoria da WT Administração de Imóveis e Bens. Ao todo, seu nome apareceu na administração de 14 empresas vinculadas ao advogado, com negócios nos setores imobiliário, de aviação e de apostas.

Localizada no Riacho Fundo, no Distrito Federal, ela disse desconhecer sua participação nas empresas. “Acho que teve alguma confusão aí. Eu nem trabalho lá. Eu sou doméstica aqui”, afirmou. Lídia também negou sua identidade, mas recebeu durante a abordagem uma encomenda endereçada a Lídia Maria Figueiredo Mazelli. Uma fotografia apresentada no processo sobre a mansão também foi usada para identificá-la.

Como diretora-presidente da WT Administração de Imóveis e Bens, Lídia assinou documentos relativos à disputa pela casa, situada na Ilha Comprida. Uma empresa ligada ao jogador Richarlison havia comprado o imóvel em 2020. Dois anos depois, uma decisão judicial transferiu a posse para a companhia de Tomaz. O processo terminou em junho de 2025, com resultado favorável ao advogado.

Flávio não era parte da ação, mas foi arrolado como testemunha pelos advogados ligados ao jogador. O senador esteve na casa duas vezes antes de a empresa de Tomaz obter a posse. Essa mansão é diferente daquela em que Flávio comemorou o aniversário da filha em fevereiro de 2026, embora ambas fiquem na Ilha Comprida.

Tomaz afirmou inicialmente que os jornalistas haviam abordado outra pessoa. Depois, sua assessoria confirmou que era Lídia e disse que ela havia respondido de forma evasiva por medo. O advogado sustenta que ela é formada em Administração e tem experiência em gestão. Há um registro profissional em nome dela no Conselho Federal de Administração.

O advogado nega que Flávio seja seu sócio ou tenha participado da aquisição da mansão. O senador foi procurado pelos autores da investigação, mas não respondeu.

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