Tráfego marítimo no Estreito de Ormuz despenca e conflito no Oriente Médio ameaça rotas globais de energia

Tráfego marítimo no Estreito de Ormuz despenca e conflito no Oriente Médio ameaça rotas globais de energia

Ataques entre EUA e Irã e ameaças houthis no Mar Vermelho afetam a navegação em dois dos pontos mais críticos do comércio mundial de petróleo e gás

O volume de embarcações que navegam pelo Estreito de Ormuz registrou uma nova queda na terça-feira (21), impulsionado pela escalada das preocupações com a segurança da navegação comercial diante dos contínuos confrontos militares entre os Estados Unidos e o Irã, informa a Reuters.

De acordo com dados consolidados da consultoria e plataforma de rastreamento marítimo Kpler, apenas três navios de carga realizaram a travessia do estreito ao longo de toda a terça-feira. O número representa uma redução em relação à segunda-feira (20), quando quatro embarcações haviam percorrido a rota.

O detalhamento dos dados operacionais da Kpler mostra que o navio de carga geral Kaiser atravessou a região em direção à saída do estreito levando carga total. Em sentido oposto, o graneleiro H7 Smb8 ingressou no Estreito de Ormuz em lastro — condição em que a embarcação navega sem carga comercial para manter a estabilidade —, com o objetivo de embarcar produtos no Golfo Pérsico. Além destes, o navio Hsin Ocean entrou na hidrovia transportando um carregamento de oleína de palma refinada.

Por outro lado, o monitoramento confirmou a ausência total de embarcações de grande porte para o setor energético: nenhum superpetroleiro (categoria VLCC, do inglês Very Large Crude Carrier) ou navio-tanque especializado no transporte de gás natural liquefeito (GNL) foi avistado cruzando o Estreito de Ormuz durante o período.

A retração na movimentação marítima ocorre em meio à intensificação das operações militares na região. As Forças Armadas dos Estados Unidos informaram, na noite de terça-feira, a execução de uma nova onda de bombardeios contra alvos no Irã, consolidando a 11ª noite consecutiva de investidas aéreas norte-americanas em território iraniano.

Expansão do conflito para o Mar Vermelho

Os desdobramentos da crise geopolítica já atingem outras rotas estratégicas de navegação. No Mar Vermelho, dois navios petroleiros carregados com petróleo bruto oriundo da Arábia Saudita e destinados ao mercado asiático alteraram abruptamente suas rotas na terça-feira. As manobras de desvio ocorreram no momento em que as embarcações se aproximavam do estreito de Bab el-Mandeb.

A mudança de curso deu-se após o envio de ameaças diretas por parte dos rebeldes houthis do Iêmen, grupo alinhado ao governo do Irã. Os houthis declararam formalmente a intenção de bloquear a passagem de qualquer carregamento de petróleo saudita que tente atravessar o estreito de Bab el-Mandeb.

A escalada verbal e operacional do grupo rebelde incluiu também alertas diretos ao setor privado. Em e-mails encaminhados às empresas de navegação comercial, os houthis notificaram as companhias para que interrompam imediatamente as operações de carga e descarga de mercadorias em portos da Arábia Saudita, sob o risco de as embarcações se tornarem alvos militares.

A dinâmica dos acontecimentos indica um alargamento geográfico do conflito entre Washington e Teerã, criando um cenário de vulnerabilidade simultânea em dois dos principais pontos de estrangulamento (chokepoints) do comércio energético global, com potencial direto de interrupção no fluxo internacional de combustíveis.

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