Esquerda e direita reagem à presença da bandeira dos EUA no 1º ato de campanha de Flávio Bolsonaro

Esquerda e direita reagem à presença da bandeira dos EUA no 1º ato de campanha de Flávio Bolsonaro

Uma grande bandeira dos Estados Unidos  se tornou um dos elementos mais comentados do primeiro ato oficial de campanha de Flávio Bolsonaro  (PL) à Presidência da República, realizado no domingo (16), na Praia de Copacabana,  no Rio de Janeiro. O símbolo estadunidense apareceu entre bandeiras brasileiras, camisas verde-amarelas e outros elementos tradicionalmente associados às manifestações bolsonaristas.

A presença da bandeira ganhou ainda mais repercussão porque ela foi estendida durante a execução do Hino Nacional Brasileiro. Imagens registradas no local circularam nas redes sociais.

A cena ocorreu em um momento no qual Flávio tenta apresentar sua candidatura como continuidade política do pai, Jair Bolsonaro,  e reforça uma aproximação com setores da direita internacional.

Sem ter o que falar e muito menos como justificar, o ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro, partiu mais uma vez para o ataque contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva:

“E você acha que se não tivesse ninguém estaria nos ‘acusando’ de sermos pró-EUA”, começou ele. “Lula está botando o Brasil de 4 para a China. A China tarifa o Brasil mais do que os EUA e o super defensor da soberania lambe as botas dos chineses. Seguiremos trabalhando com a verdade”, encerrou sob uma chuva de comentários negativos.

Post Eduardo Bolsonaro

Flávio cita Estados Unidos, China e Israel

Durante o discurso em Copacabana, Flávio Bolsonaro procurou destacar sua atuação e suas propostas para a política externa. O candidato afirmou ser o único nome capaz de negociar simultaneamente com Estados Unidos, China e Israel para estabelecer acordos de interesse do Brasil.

Flávio também mencionou contatos que manteve anteriormente com integrantes do governo de Donald Trump na Casa Branca. Segundo o candidato, as conversas trataram principalmente de temas relacionados à segurança pública.

A referência aos Estados Unidos ocorreu no mesmo ato em que a bandeira do país foi exibida entre os apoiadores, reforçando a dimensão internacional que a campanha procurou imprimir ao evento.

Símbolo provoca reação política

A bandeira norte-americana dividiu opiniões nas redes sociais. Críticos da candidatura classificaram a manifestação como demonstração de alinhamento excessivo aos interesses dos Estados Unidos. Entre os críticos esteve a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, que usou o termo “entreguista” para se referir ao ato.

Apoiadores de Flávio, por outro lado, defenderam a presença da bandeira como uma demonstração de proximidade com a direita internacional e com os Estados Unidos.

O episódio ganhou destaque justamente pela combinação de símbolos nacionais e estrangeiros durante um evento de lançamento de uma candidatura à Presidência brasileira.

Ato flopou

O comício ocorreu na altura do Posto 5 da Avenida Atlântica e reuniu cerca de 8,9 mil pessoas no momento de maior concentração, por volta das 11h30, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap.

A dimensão do público foi considerada modesta quando comparada a manifestações anteriores de Jair Bolsonaro em Copacabana. Aliados de Flávio, contudo, argumentaram que o evento tinha características diferentes dos grandes atos promovidos pelo ex-presidente e não contou com uma estrutura de caravanas e ônibus para levar apoiadores ao Rio.

O tamanho da manifestação também repercutiu dentro do próprio PL. Segundo a Fórum, o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, atribuiu a menor presença, entre outros fatores, às condições climáticas. 

Deputados reagem

 O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a presença de bandeiras dos Estados Unidos no primeiro ato de campanha de Flávio Bolsonaro. Em publicação no X, o parlamentar afirmou que o episódio demonstra, desde o início da disputa, o alinhamento do senador com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Lindbergh classificou a cena como inaceitável e afirmou que Flávio Bolsonaro teria deixado explícito de que lado está.

“A pessoa tem a cara de pau de aparecer com a camiseta meu partido é o Brasil diante de apoiadores ostentando bandeiras dos EUA… Faltou coerência e público na largada da campanha da extrema direita”, escreveu a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) .

 

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