O estrategista político argentino Fernando Cerimedo, ex-assessor de Javier Milei, aliado da família Bolsonaro e ligado também a Donald Trump, foi preso na madrugada de terça-feira como principal suspeito do ataque a tiros contra sua ex-parceira Nadia Beller em um hotel em Santa Cruz de la Sierra.
Informações não confirmadas dão conta que Nadia Beller está grávida de 4 meses.
Cerimedo é aliado de longa data do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e figura central na articulação da direita radical na América Latina.
A relação entre Cerimedo e a família Bolsonaro é antiga e bem documentada. Amigos desde 2010, o argentino e Eduardo Bolsonaro mantêm uma parceria política que se intensificou nas eleições brasileiras de 2022.
Segundo a Fórum, em outubro daquele ano, durante o período eleitoral, Eduardo Bolsonaro viajou à Argentina em “missão oficial” — custeada com dinheiro da campanha à reeleição de Jair Bolsonaro — para encontrar Cerimedo em Buenos Aires.
Dias após o segundo turno, que confirmou a derrota de Bolsonaro para Lula (PT), o marqueteiro argentino criou e disseminou fake news sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas.
Em lives transmitidas ao lado de Eduardo Bolsonaro, Cerimedo afirmava, sem provas, que o sistema eleitoral brasileiro era vulnerável a fraudes. As transmissões alcançaram milhões de visualizações e alimentaram o clima de desconfiança que culminou nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.
O nome de Cerimedo aparece 65 vezes no relatório da Polícia Federal sobre a tentativa de golpe. Ele foi acusado formalmente pela PF de integrar o “núcleo de desinformação e ataques ao sistema eleitoral”. Investigações revelaram que ele recebia informações de um major reformado do Exército Brasileiro para embasar suas alegações fraudulentas.
Após acusar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de fraude e repetir as informações falsas em uma audiência pública no Senado, Cerimedo teve sua conta pessoal suspensa, assim como as redes do La Derecha Diario, portal do qual é proprietário.
Sua campanha de desinformação, intitulada “O Brasil foi roubado”, colaborou para incitar a onda bolsonarista que culminou nos ataques aos Três Poderes em 8 de janeiro.
Em publicação nas redes sociais no dia 28 de maio, Cerimedo celebrou o encontro de Flávio Bolsonaro com Donald Trump na Casa Branca, quando o brasileiro selou a promessa de entregar o Brasil, caso seja eleito, e declarou seu apoio à medida dos EUA de classificar como organizações terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho.
“Excelente medida”, comemorou Cerimedo, divulgando uma publicação sobre o tema, com foto de Flávio Bolsonaro e Trump na Casa Branca.
https://x.com/FerCerimedo_ok/status/2060139776179663060
Em 11 de fevereiro, Cerimedo registrou um encontro com Eduardo Bolsonaro em Mar-a-Lago, na residência oficial de Donald Trump, quando recebeu um troféu pelos serviços prestados pela sua agência de publicidade na América Latina.
Em seu perfil no Instagram, ele mantém em destaque a foto recebendo com Eduardo Bolsonaro o prêmio de “Consultor Político Hispânico do Ano”, por sua “perspicácia estratégica, análises precisas e o impacto de seu trabalho em campanhas e movimentos que definem agendas”.
Condenação criminal na Argentina
Antes de ganhar projeção internacional, Cerimedo já carregava uma condenação criminal em seu país. Em 2016, a Justiça argentina o sentenciou pelos crimes de estafa (estelionato) e defraudação por ter vendido o mesmo apartamento em Mar del Plata para duas pessoas diferentes.
A pena foi de dois anos e seis meses de prisão, em regime de execução condicional (suspensa). O caso, à época, já levantava suspeitas sobre sua conduta ética, mas não impediu sua ascensão no mercado da consultoria política.
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