Mulher vítima de Cerimedo, consultor dos Bolsonaros, diz que ele alegou ligação com a CIA

Mulher vítima de Cerimedo, consultor dos Bolsonaros, diz que ele alegou ligação com a CIA

A advogada boliviana Nadia Beller, ex-companheira do consultor político argentino Fernando Cerimedo, fez uma série de denúncias sobre o ambiente político da Bolívia após ser baleada na porta de um hotel em La Paz.

Além de acusar Cerimedo de agressões e de uma tentativa anterior de feminicídio, Beller afirmou ter informações sobre casos de corrupção envolvendo integrantes do novo governo boliviano de extrema-direita.

Cerimedo, que atuou como consultor externo e coordenador de estratégia digital da campanha de Javier Milei à Presidência da Argentina em 2023, também teve atuação política no Brasil. Em 2024, foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito que investigava a tentativa de golpe de Estado no país, embora não tenha sido denunciado.

Parceiro do ex-deputado fugitivo Eduardo Bolsonaro, Cerimedo participou recentemente de uma transmissão ao vivo com o parlamentar, na qual voltou a questionar a credibilidade das urnas eletrônicas brasileiras. Atualmente, ele vive na Bolívia, onde atua como assessor do presidente Rodrigo Paz.

Beller diz ter provas de corrupção no governo boliviano

Em entrevista concedida do hospital, onde se recupera dos quatro tiros que recebeu, Beller afirmou que mantinha em seu celular informações sobre esquemas de corrupção que, segundo ela, envolvem o governo boliviano.

A advogada afirmou que os criminosos levaram seu celular imediatamente após o ataque. Segundo ela, o aparelho continha provas tanto das agressões de Cerimedo quanto de denúncias políticas.

Beller afirmou ter participado do vazamento de informações sobre um esquema envolvendo combustíveis e disse possuir outros documentos relacionados a ouro.

Ela também declarou que havia conversado sobre as denúncias com a primeira-dama da Bolívia. “Na Bolívia não governa Rodrigo Paz, governa Cerimedo”, afirmou.

Segundo ela, o esquema envolveria pagamentos realizados por meio de contratos negociados com grandes empresas. Nadia também afirmou ter visto “gavetas cheias de dinheiro” que estariam relacionadas a atos de corrupção.

Questionada sobre quem seria o responsável pelo dinheiro, Beller apontou diretamente para o consultor argentino e afirmou que parte dos recursos seria administrada por um testa de ferro que vive em La Paz.

Beller cita ligação com a CIA

Ao relatar o relacionamento de Cerimedo com outras mulheres, Beller mencionou Natalia Basil, apresentada por ele como sua ex-companheira.

Segundo Beller, Cerimedo teria afirmado que Basil seria agente da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos. “Ele me disse que ela também é agente da CIA, mas isso não posso confirmar”, declarou.

A declaração foi feita no contexto das acusações de que Cerimedo teria mentido para impedir que Beller fosse à Bolívia e investigasse sua vida pessoal e suas relações.

Acusações contra Cerimedo

Beller também acusou Cerimedo de violência física. Segundo seu relato, em abril ela descobriu conversas românticas dele com outra mulher e o confrontou.

Ela afirmou que, naquela ocasião, Cerimedo teria tentado “neutralizá-la” e a enforcado.

Posteriormente, ele teria mantido um relacionamento com Maria Trigo, apresentada por ela como chefe de gabinete do ministério do Planejamento. A advogada afirmou ainda que foi agredida depois de descobrir a relação.

Beller disse que chegou a procurar o jornalista John Arandia e apresentar o episódio como uma tentativa de feminicídio.

Agora, após ser baleada por dois homens que, segundo seu relato, estavam disfarçados de entregadores de comida, ela voltou a acusar Cerimedo. “Se ele não mandou os sicários, ele sabe quem são os sicários”, disse.

Afirmou ainda existir um suposto grupo de elite comandado por ele, que “não responde ordens absolutamente de ninguém”.

Após as declarações, o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, anunciou que Cerimedo seria investigado por feminicídio e que o Ministério Público pediria sua prisão preventiva, alegando risco de fuga e de obstrução das investigações.

Beller pediu a presença da imprensa no hospital por considerar que sua vida está em risco. Segundo ela, caso não prestasse o depoimento publicamente, poderia ser atacada novamente. “Tenho certeza de que, se eu não der esta declaração, eles vão voltar e me matar. É muito fácil entrar no hospital. Colocaram apenas uma escolta para me proteger. As pessoas entram e saem e não passam pela menor revista”, reclamou.

“Peço, por favor, a proteção da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), porque o governo é o principal interessado em me calar. Rodrigo Paz, sua mulher e sua família fazem os maiores negócios com os corretores e as seguradoras das empresas estatais. Tenho provas.”

Por Kiko Nogueira

 

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