Bizarro: estão comercializando sangue de gatos

Bizarro: estão comercializando sangue de gatos

 O Ministério Público de São Paulo  apresentou denúncia contra cinco pessoas por suposto esquema de venda clandestina de sangue de gatos,  no município de Monte Alto, região de Ribeirão Preto, interior do estado.

Em representação feita no último dia 2, o órgão imputa aos cinco a prática de associação criminosa e maus-tratos a animais.  A denúncia aguarda análise judicial, que poderá resultar em uma ação penal contra os envolvidos. Não há prazo para isso ocorrer.

Entre os denunciados estão a médica veterinária Thaís Daniele Antonussi, 34. Nas redes sociais, ela se apresenta como coordenadora de um curso hematologia e hemoterapia veterinária e também como atriz com trabalhos em telenovelas e teatro. Em postagens, divulga seus cursos e projetos sociais voltados a animais em vulnerabilidade.

A reportagem enviou mensagens no Instagram e no contato de WhatsApp da veterinária nesta terça-feira (15), mas ela não respondeu.

O Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo afirmou, em nota, que realizou ações de fiscalização nos estabelecimentos relacionados ao caso, constatou irregularidades e adotou as medidas administrativas cabíveis.

Além da veterinária, o Ministério Público denunciou Renato Franco, Celso Truguilo Alves, Everton Leite Silva e José Luiz de Lima. A função de cada um no esquema e suas profissões não foram informados. A reportagem não conseguiu identificar as defesas.

A Polícia Civil disse ter identificado e indiciado uma associação criminosa que atuava em Monte Alto, São José do Rio Preto, Mirassol, Catanduva e região. Segundo a investigação, o grupo captava animais, realizava a coleta supostamente clandestina de sangue e comercializava o material de forma irregular.

“Os envolvidos exerciam diferentes funções, como financiamento, coordenação, captação de animais e realização das coletas. A investigação reuniu laudos periciais, análises de celulares, documentos financeiros, depoimentos e outros elementos”, afirmou a corporação.

Em 4 de outubro do ano passado, três pessoas paramentadas com luvas e trajes veterinários foram presas em flagrante na residência onde funcionava o esquema supostamente ilegal. A polícia encontrou, no local, seis gatos desacordados, que estavam anestesiados com uma forte dose de medicamento.

Uma das pessoas presas nesse dia disse à polícia que era estudante de medicina veterinária e outros dois afirmaram serem auxiliares. Eles declararam ter recebido pelos procedimentos R$ 300 (estudante) e R$ 100 (auxiliares). Após serem levados para delegacia, foram liberados.

Segundo a investigação, o material coletado em Monte Alto seria utilizado para transfusões em uma clínica de São José do Rio Preto, que afirmou, na época, desconhecer o esquema clandestino.

A doação de sangue é essencial para salvar vidas em procedimentos veterinários de urgência e emergência, mas a venda do material configura crime.

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