Poucas defesas naturais contra o aquecimento global são tão importantes quanto as árvores. A copa de um pinheiro centenário ou os galhos estendidos de um carvalho oferecem sombra quando mais necessária, ao mesmo tempo que absorvem dióxido de carbono e armazenam parte desse carbono em sua madeira e raízes. Elas também ajudam a regular a água, reduzir a erosão e atenuar alguns dos efeitos do calor.
Pesquisadores analisaram dados de mais de um milhão de árvores nos Estados Unidos e no Canadá e projetaram que, até meados do século, a pressão de insetos aumentará em grande parte das florestas da América do Norte. Especificamente, em mais de 60% das áreas analisadas, esse aumento poderia chegar a 30%.
O mecanismo é relativamente simples: invernos mais amenos podem aumentar a sobrevivência de alguns insetos. Temperaturas mais elevadas aceleram seu desenvolvimento e, em certas espécies, permitem que completem mais gerações por ano. O resultado pode ser um aumento em suas populações e, consequentemente, na pressão que exercem sobre as árvores.
Um exemplo é o pulgão-lanoso (Adelges tsugae), um inseto com pouco mais de um milímetro de comprimento, nativo da Ásia. Na ausência de predadores naturais, os invernos rigorosos do leste dos Estados Unidos limitavam sua disseminação, mas agora as temperaturas mais amenas favorecem sua sobrevivência e aumentam a pressão sobre as florestas de tsugas.
Outro parente próximo, o pulgão-lanoso-do-abeto-bálsamo (Adelges piceae), ameaça as florestas de montanha e as latitudes setentrionais, especialmente o abeto subalpino.
Mais ao norte, no Alasca e no oeste do Canadá, o besouro-do-abeto é uma espécie nativa que normalmente ataca árvores enfraquecidas. O aumento das temperaturas acelera seu desenvolvimento e favorece sua sobrevivência durante o inverno, levando a surtos que podem dizimar abetos. Mais madeira seca e maior risco de incêndios
Essa mortalidade não se limita a deixar paisagens de abetos mortos: ela também gera grandes quantidades de madeira seca que aumentam a carga de combustível e podem intensificar os incêndios, em uma região onde as mudanças climáticas já estão elevando o risco de incêndios florestais.
As Pináceas não são as únicas afetadas. A lagarta-cigana-esponjosa (Lymantria dispar) também danifica florestas de madeira nobre no leste e centro-oeste dos EUA, e o aquecimento global pode agravar a pressão que ela enfrenta.
Um estudo publicado na revista Nature Climate Change chega à mesma conclusão e aponta que climas mais quentes e secos enfraquecerão o fungo que controla as populações dessa mariposa, favorecendo sua expansão e impacto.
Com os dados em mãos, os pesquisadores esperam que essas descobertas lhes permitam antecipar o problema, identificar as áreas de maior risco e escolher árvores mais resistentes. Com informações do The Daily Digest
Acre in Foco – Cobertura das Últimas Notícias do Acre Acre in Foco traz as últimas notícias do Acre, com cobertura atualizada sobre política, segurança, saúde, cultura e eventos locais. Fique por dentro de tudo
