O bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações e líder religioso ligado a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), faz ataques contundentes à devoção católica a Maria no livro “A Bomba: A verdade pode ser explosiva”, publicado em 2001. Na obra, ele associa a figura venerada pelos católicos a antigas divindades que chama de “prostitutas”, fala em “prostituição espiritual” e dedica um capítulo específico a Nossa Senhora Aparecida, descrita por ele como uma “imagem escura de uma deusa”.
Carvalho é dono da igreja frequentada por Flávio Bolsonaro. O candidato e sua mulher, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações, em Brasília, em 2024. Flávio também escolheu o templo para sua primeira aparição pública após anunciar a pré-candidatura à Presidência, em dezembro de 2025, e é apontado como frequentador assíduo da denominação.
No livro, Carvalho começa sua argumentação recorrendo à figura bíblica da “grande meretriz”. Depois de reproduzir um trecho do Apocalipse, escreve que a Bíblia estaria tratando de uma “prostituta espiritual” e da “mãe da prostituição espiritual”. Em seguida, explica que, em sua interpretação, a prostituição representaria a troca da adoração a Deus pela veneração de outra divindade.
A associação é aprofundada posteriormente. Carvalho afirma que a religião representada por Babilônia seria uma “prostituta, meretriz” e conclui que a representação de uma mulher prostituta corresponderia a uma “igreja prostituída”. Mais adiante, ao direcionar o argumento à Igreja Católica, diz que ela teria se “prostituído com a Rainha dos Céus” e escreve que a Bíblia a chamaria de “meretriz, prostituta infiel e apóstata”.
O bispo também estabelece uma ligação direta entre essas figuras e a iconografia mariana. Ao tratar de Astarte e Anate, Carvalho escreve: “Uma prostituta divina, que era adorada em um ambiente de prostituição sagrada”. Pouco depois, afirma que antigas deusas teriam sido “vistas como demônios e prostitutas” e posteriormente associadas ao cristianismo. Segundo ele, “a Rainha dos Céus, a soberana entre elas recebeu o nome de Maria”. O próprio autor faz uma ressalva: “Não é que ela seja Maria. Ela usa a imagem de Maria para enganar as massas”.
Carvalho também dedica atenção à cor escura de imagens marianas. Em um trecho intitulado “A Madona Negra – Ísis”, ele relaciona diferentes representações religiosas femininas. Ao mencionar as chamadas Virgens Negras, afirma que antigas estátuas de Ísis, Inanna, Diana e Cibele “eram de cor escura, sendo posteriormente chamadas de Madonas Negras”.
A argumentação chega diretamente a Nossa Senhora Aparecida. No capítulo “A Rainha dos Céus no Brasil”, Carvalho ironiza a tradição do encontro da imagem pelos pescadores no Rio Paraíba do Sul: “Dizem que os pescadores são exagerados quando contam histórias dos seus feitos, ainda mais quando se trata de pescar uma imagem escura de uma deusa”. Ele passa então a narrar o encontro da imagem em 1717 e chama repetidamente Aparecida de “deusa”.
Em outra passagem, o religioso escreve que a divindade que identifica como “Rainha dos Céus” aparece em diferentes culturas e afirma que, “no Brasil, se mascara com o nome de Aparecida”. Na sequência, diz que antigas deusas teriam sido consideradas “demônios e prostitutas” e que depois teriam recebido nomes de santas católicas. É nesse mesmo trecho que ele liga a “Rainha dos Céus” ao nome e à imagem de Maria.
Livros de Carvalho foram levados por integrantes da família a Jair Bolsonaro na prisão. É improvável que ele tenha lido algum, por piores que sejam. As informações são do DCM
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