Pastor de Flávio Bolsonaro defende fim de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil

Pastor de Flávio Bolsonaro defende fim de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil

A relação entre Flávio Bolsonaro e o pastor J. B. Carvalho vai além da proximidade política e religiosa. O senador se converteu “pra valer” em 2022. O processo foi conduzido na Comunidade das Nações, fundada pelo bispo J. B. Carvalho, bolsonarista radical.

O primeiro batismo de Flávio realizado de acordo com os ritos dessa igreja ocorreu em 2024, juntamente com a mulher Fernanda. Em novembro de 2025, quando Jair Bolsonaro estava preso na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, Flávio levou ao pai o livro “Metanoia – A Chave Está Em Sua Mente”, de Carvalho. Publicada pela Editora Chara em 2018, a obra apresenta uma proposta de transformação pessoal e interior.

Na véspera do aniversário de 70 anos de Jair Bolsonaro, Carvalho participou de uma live com Flávio, Jair e Michelle, na qual fez uma oração pela família. “Minha solidariedade ao nosso eterno Presidente Jair Bolsonaro. Tenho certeza que ele fará a travessia desse momento difícil que está atravessando e que com certeza sairá do outro lado”, alegou.

No livro “A Bomba”, publicado em 2001, Carvalho apresenta uma crítica ao catolicismo, à devoção a Nossa Senhora e à presença de símbolos católicos na vida pública brasileira. No capítulo 11, contesta diretamente a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.

“A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”, afirma. Na sequência, Carvalho sustenta que não haveria “amparo constitucional para determinar que a deusa mariana seja imposta a toda uma nação como padroeira” e argumenta que “o Brasil não possui mais ligação entre igreja e estado”.

O texto também afirma que a separação entre Estado e religião teria sido estabelecida pela Constituição de 1891 e cita as Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967/69 e 1988 para sustentar sua interpretação. A partir daí, Carvalho faz uma afirmação ainda mais ampla: “Por esta razão o feriado de 12 de outubro é ilegal”.

A obra não se limita a questionar a validade jurídica do feriado. Carvalho defende que o Brasil deveria abandonar a referência a Nossa Senhora Aparecida como padroeira. “Já que o Brasil por lei não é mais um país católico, está na hora de destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro”, escreve.

Pastor de Flávio Bolsonaro defende fim de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil
Trecho do livro do pastor JB Carvalho sobre Nossa Senhora

Em seguida, convoca cristãos a se mobilizarem para que “Aparecida não seja mais Senhora em nossa nação” e para que “Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil”. A afirmação de que a legislação seria “ilegal”, porém, aparece no livro como a interpretação teológica e jurídica de seu autor.

A legislação federal efetivamente existente estabelece o dia 12 de outubro como feriado nacional e determina que a data seja consagrada a Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Trata-se da Lei nº 6.802, sancionada em 30 de junho de 1980 pelo então presidente João Figueiredo.

A Câmara dos Deputados registra que a Lei nº 6.802/1980 teve origem no Projeto de Lei nº 220/1979, apresentado pelo deputado Jorge Arbage, e consta atualmente como norma sem revogação expressa.

Ele sustenta que a própria decisão do Estado brasileiro de reconhecer a santa como padroeira e estabelecer o 12 de outubro como feriado seria incompatível com a separação entre Igreja e Estado.

“Maria não é senhora”

O pastor diz que “Maria não é senhora, porque no cristianismo não existe senhora, só existe Senhor” e que “a igreja romana inventou a adoração a Maria para substituir a adoração da Mãe Pagã”. Segundo Carvalho, “no verdadeiro cristianismo Jesus está no centro, Ele está em evidência, tão somente Ele e mais ninguém”.

Para ele, “na religião pagã a mãe tem a supremacia, como hoje também o tem no marianismo católico”.

Carvalho também usa o número de orações do terço para sustentar sua argumentação. “No terço, a Ave Maria é repetida cinquenta e três vezes enquanto que o Pai Nosso seis vezes. Quem tem a centralidade neste culto é a mãe e não o filho”, escreve. Em seguida, afirma novamente que “a igreja romana inventou o culto a Maria para substituir o culto da Rainha dos Céus”.

“A adoração à Maria é o paralelo da adoração pagã às divindades femininas”, escreve. Carvalho fala na “imagem escura de uma deusa”. O culto à chamada “Rainha dos Céus” provocaria a ira divina, garante.

“Deus odeia o culto a Rainha dos Céus”, diz. “Uma das grandes razões para as pragas que estão por vir à terra é o culto à Rainha dos Céus”, detona ele. “Deus odeia a veneração a esta entidade. E por razão da insistência em cultuá-la, Deus fará o mesmo que fez com Israel no passado às nações”.

Por Kiko Nogueira

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