O Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, recebeu R$ 2 milhões em emendas do deputado federal Mario Frias (PL-SP) para projetos em Pirassununga, no interior de São Paulo. Auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram falhas na execução, nas contratações e na comprovação das entregas, fatos que integram a investigação que levou a Polícia Federal a cumprir buscas nesta quinta (10).
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a operação Make Up contra Frias, Karina Gama e fornecedores. A PF e a CGU investigam suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares por meio de subcontratações irregulares e serviços sem comprovação; foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.
O projeto “Jovem Empreendedor” recebeu R$ 1 milhão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em 17 de fevereiro de 2025. A proposta previa materiais educativos, formação de 250 multiplicadores e atendimento a 2.250 alunos do 4º e do 5º ano de escolas públicas.
O ICB distribuiu R$ 1 milhão entre seis empresas, com R$ 400 mil para a Dinâmica Editora e Distribuidora de Livros, R$ 300 mil para o Instituto Super Poder Educacional e R$ 150 mil para a MTS Assessoria e Consultoria. Cinco fornecedoras que receberam R$ 980 mil aparecem entre os alvos das buscas autorizadas pelo STF; os pagamentos terminaram em fevereiro de 2026.
Projeto educacional teve contas rejeitadas pelo ministério
Em relatório de 25 de maio de 2026, o instituto afirmou que havia produzido 2.500 kits físicos, implantado uma plataforma digital e preparado o conteúdo pedagógico. Ao mesmo tempo, informou que ainda precisava realizar o treinamento operacional, organizar turmas e executar as atividades com os estudantes.
A vigência do termo terminou em 11 de janeiro de 2026. Após cobrança do ministério pela documentação, o ICB pediu, em 28 de maio, mais 12 meses para concluir o trabalho. A decisão de Dino registra que a entidade admitiu a necessidade de articular escolas, mobilizar famílias, preparar espaços, acionar multiplicadores e atender as crianças.
O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação negou a prorrogação em 2 de junho, pois o prazo do convênio já havia acabado. Em 9 de julho, a pasta emitiu parecer técnico pela rejeição das contas por entender que o objeto da parceria não havia sido cumprido; o instituto recebeu 30 dias para apresentar defesa e documentos complementares.
O segundo repasse, de R$ 1 milhão do Ministério do Esporte, financiou o projeto “Lutando pela Vida”, destinado a atividades de esportes de combate para 500 beneficiários em dois núcleos de Pirassununga. A CGU questionou o pagamento de R$ 457.818,78 à Pulsa Uniformes e Camisetas Personalizadas por quimonos, faixas, uniformes e 120 placas de tatame.
O instituto quitou integralmente a nota fiscal em 26 de maio de 2026, mas a auditoria não encontrou comprovação contemporânea da entrega. Em julho, a fornecedora informou aos auditores que os materiais continuavam em fabricação e que não havia entregue os itens faturados. O ICB apresentou termo de recebimento parcial dos tatames, porém a CGU constatou outra compra de 120 placas, por R$ 58,8 mil, e afirmou não haver controles para relacionar o material localizado à compra questionada.
A auditoria também apontou que seis prestadores receberam R$ 94.564,55 entre março e julho de 2026 por coordenação, instrução, monitoria e acompanhamento de educação física. Para a CGU, fichas de matrícula, planilhas de frequência sem assinatura, fotografias e relatório parcial não bastaram para vincular os pagamentos às aulas, turmas e cargas horárias efetivamente realizadas. As informações são do DCM
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