Maluco a solta: homem grita “Bolsonaro 22” e esfaqueia mulher

Maluco a solta: homem grita “Bolsonaro 22” e esfaqueia mulher

A vítima não utilizava roupas, adesivos ou outros objetos que indicassem preferência eleitoral

Uma mulher de 35 anos foi esfaqueada por um homem de 66 anos no Terminal Rodoviário do Tietê, na zona norte de São Paulo, na tarde de domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais. Segundo testemunhas, o agressor gritou “Bolsonaro 22” antes de atacar a vítima, que estava acompanhada da namorada e de amigas. A Polícia Civil investiga se o episódio foi motivado por intolerância política e homofobia.

De acordo com a Folha de S.Paulo, a agressão ocorreu por volta das 16h, no piso superior da rodoviária, nas proximidades do banheiro feminino. O homem teria se aproximado do grupo fazendo provocações políticas. Quando uma das mulheres pediu que ele se afastasse, o suspeito sacou uma faca e a atingiu na mão.

A vítima não utilizava roupas, adesivos ou outros objetos que indicassem preferência eleitoral. Pessoas que presenciaram a ocorrência relataram que as circunstâncias do ataque levantaram suspeitas de motivação homofóbica, uma vez que a mulher estava acompanhada de sua companheira. A hipótese ainda depende de confirmação pelas autoridades.

A relações públicas Erika Antunes, que aguardava um ônibus para Sorocaba, no interior paulista, testemunhou os momentos posteriores à agressão e descreveu o desespero das pessoas que estavam no terminal.

“Eu estava saindo do banheiro e ouvi uma gritaria generalizada, várias mulheres gritando. A menina veio na minha direção sangrando muito, em choque, sem conseguir falar”, relatou à Folha.

Segundo testemunhas, passageiras que estavam próximas reagiram para proteger a vítima e confrontaram o agressor, que inicialmente deixou o local da ocorrência. A movimentação provocou tumulto entre pessoas que aguardavam o embarque. Uma passageira com destino a Campinas precisou ser amparada depois de presenciar a cena.

Os relatos também apontam demora na chegada dos profissionais responsáveis pela segurança do terminal. De acordo com Erika, o atendimento não ocorreu imediatamente, apesar do ferimento e da quantidade de sangue no local.

“O socorro demorou. A menina ficou ali sangrando por muito tempo. Era muito sangue no chão. Foi um horror”, afirmou.

A testemunha estimou que os seguranças levaram aproximadamente dez minutos para chegar ao ponto onde ocorreu a agressão. Funcionários da rodoviária prestaram os primeiros atendimentos à mulher.

Suspeito foi liberado após prestar depoimento

Informações divulgadas pelo Metrópoles nesta segunda-feira (26), com base na Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), acrescentam que o suspeito foi localizado e detido. Ele foi encaminhado à delegacia, prestou depoimento e acabou liberado.

A Polícia Militar informou que o homem estava “alterado” e discutiu com a vítima antes de ameaçá-la e golpeá-la com a faca. A arma utilizada foi apreendida e encaminhada para análise pericial.

A mulher foi levada ao pronto-socorro Santana, também na zona norte da capital. Segundo a SSP, seu estado de saúde não é considerado grave.

O caso foi registrado inicialmente como lesão corporal e está sob responsabilidade do 13º Distrito Policial, na Casa Verde. Os investigadores trabalham com a possibilidade de que a agressão tenha sido desencadeada por preconceito contra a orientação sexual da vítima ou por divergências políticas.

A investigação deverá esclarecer a sequência dos acontecimentos, as circunstâncias da abordagem e a motivação do suspeito. Até o momento, as autoridades não confirmaram que o ataque tenha sido cometido por razões políticas ou homofóbicas.

O episódio ocorreu durante a votação que definiu a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após disputa com o senador Flávio Bolsonaro (PL). O segundo turno também registrou outras ocorrências de violência e intolerância relacionadas ao ambiente eleitoral em diferentes regiões do país.

No Rio de Janeiro, por exemplo, uma eleitora foi registrada fazendo uma saudação nazista após deixar um local de votação. Segundo a Folha, o episódio foi registrado como injúria por preconceito.

Em São Paulo, a Polícia Civil prossegue com a apuração do ataque no terminal Tietê para determinar a responsabilidade criminal do suspeito e verificar se houve motivação discriminatória.

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