Segundo informações apuradas pela Fórum, Flávio Bolsonaro teria se deslocado com a família de Brasília a Foz do Iguaçu em um avião do amigo Willer Tomaz. Os dois são investigados pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, inquérito que foi um dos motivos alegados pelos investigadores para pedir a apreensão do passaporte do senador. Leia Mais Aqui
A Fórum enviou perguntas ao general Silva e Luna sobre a permanência de Flávio Bolsonaro na cidade durante as buscas da Polícia Federal, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. O espaço segue aberto.
De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador atravessou a fronteira às 22h50, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza.
Às 23h30, os quatro embarcaram em um voo privado operado pela Baires Fly S.A., com destino declarado a Guayaquil, no Equador.
A aeronave, um Gulfstream G400 de matrícula argentina LV-JQW, estava em Puerto Iguazú desde segunda-feira e decolou por volta de 0h20 de quarta-feira (28). Flávio e família chegaram a Miami, nos EUA, por volta das 10h18.
General de Bolsonaro comanda Foz
A cidade escolhida como ponto de passagem para a Argentina é governada desde janeiro de 2025 pelo general da reserva Joaquim Silva e Luna, um dos militares que ocuparam postos estratégicos durante o governo Jair Bolsonaro.
Silva e Luna comandou a diretoria-geral brasileira da Itaipu Binacional entre 2019 e 2021, após ser nomeado no início do governo Bolsonaro.
Em seguida, foi escolhido para presidir a Petrobras, cargo que ocupou entre 2021 e 2022, até ser substituído em meio às divergências sobre a política de preços dos combustíveis.
Antes de integrar o governo Bolsonaro, Silva e Luna havia sido ministro da Defesa na gestão Michel Temer.
Em 2024, foi eleito prefeito de Foz do Iguaçu pelo PL, partido da família Bolsonaro, e passou a exercer também um papel de articulação eleitoral na região oeste do Paraná.
A relação política com Flávio não se limitou ao apoio público durante a campanha presidencial.
Reportagem publicada pelo Diário de Foz em 26 de setembro identificou expressamente Silva e Luna como coordenador das campanhas de Sergio Moro ao governo estadual e de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
Com Moro durante a apuração
No domingo (25), enquanto os brasileiros votavam no segundo turno da eleição presidencial, Silva e Luna esteve em Curitiba para acompanhar a apuração eleitoral ao lado de Sergio Moro.
“Já estamos aqui em Curitiba, com nosso governador Sérgio Moro, para acompanhar a apuração dos votos”, escreveu no domingo, com foto ao lado do ex-juiz da Lava Jato.
Após a derrota de Flávio Bolsonaro, Silva e Luna voltou às redes, compartilhou uma mensagem que, segundo ele, mandou “para uma pessoa que estava precisando ouvir” e afirmou que “o trabalho continua”. “Seguimos em frente”, concluiu.
A publicação ocorreu horas antes do momento em que Flávio Bolsonaro teria chegado em Foz do Iguaçu, no primeiro trecho da fuga.
A Fórum entrou em contato com o general para saber se ele tinha conhecimento da presença de Flávio Bolsonaro e se auxiliou no esconderijo do senador, mas não obteve resposta.