Criança está lúcida e alimentada por sonda; testemunha afirma que vítima disse ter sido obrigada pela madrasta a ingerir a substância e que tem medo de falar
A menina de 11 anos internada após ingerir soda cáustica, em Rio Branco, apresenta evolução no quadro clínico e permanece consciente durante o tratamento. A criança está lúcida e já está sendo alimentada por sonda, após passar vários dias sem conseguir se alimentar em razão das lesões provocadas pela substância. Os investigadores que trabalham no caso não descartam que a madrasta tenha envenenado a criança.
Segundo declaração da pastora Regiane Maciel ao o Alto Acre, a menina tem conseguido conversar com a mãe e fornecer novos relatos que poderão contribuir para o andamento das investigações conduzidas pela Polícia Civil. A pastora afirmou que a criança relatou ter sofrido agressões físicas enquanto vivia com o pai e a madrasta.
“Ela confirmou para a mãe que o pai mordia os dedos dela, tanto que existem cicatrizes, e que também dava murros na boca dela, causando ferimentos por dentro”, relatou. Ainda conforme Regiane, a menina contou que vivia sob constantes situações de violência e controle, o que a impedia de ter uma convivência social normal.
A criança também teria demonstrado preocupação com a responsabilização dos investigados. “Ela pergunta o tempo todo se o pai e a madrasta já foram presos, porque sente que só vai conseguir contar tudo quando estiver segura”, afirmou a pastora.
Regiane disse ainda que a menina voltou a afirmar que não ingeriu a substância por vontade própria. Segundo o relato atribuído à criança, ela teria sido obrigada pela madrasta a ingerir um líquido que acreditava ser um remédio, mas que continha soda cáustica.
Em entrevista à imprensa, a avó da criança, dona Francisca Barbosa, também relatou que a menina já havia contado à mãe que sofria agressões do pai e da madrasta. Ela afirmou que a menina disse que o pai a agredia com murros na boca e que a madrasta já havia tentado envenená-la outras vezes, colocando “veneno de rato” na comida.
As informações divulgadas pela pastora e pela avó correspondem a relatos atribuídos à vítima e ainda serão analisadas pela Polícia Civil no curso do inquérito. Até o momento, as autoridades não divulgaram conclusões sobre todos os fatos investigados.
O caso segue sendo apurado pela Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima (Decav), com acompanhamento do Ministério Público do Acre. A madrasta, Luciene da Silva Santos, de 38 anos, teve a prisão preventiva decretada e está à disposição da Justiça. O pai da criança foi ouvido e liberado, mas segue como investigado. A Polícia Civil já informou que aguarda a conclusão de laudos para finalizar o inquérito.
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